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Tato Fischer é mago em todas as artes

Por Lucia Helena Corrêa

Com quantos talentos se faz um profissional das artes? Difícil responder quando se trata do paulista de Penápolis, Carlos Eduardo Fischer Abramides. Tato Fischer, nome pelo qual ele se tornou conhecido nos meios artísticos, é o que se poderia chamar de homem-plural de si mesmo. Psicólogo bacharelado e licenciado pela PUC-SP se fez ator, diretor e produtor de teatro.

Verdadeira usina de algumas das mais belas trilhas sonoras para a arte dos palcos, ao lado de Ney Matogrosso, Gerson Conrad e João Ricardo, nos anos 70, Tato Fischer criou a extinta e inesquecível banda “Secos & Molhados” – mix de espetáculo musical e desempenho teatral, de forte acentuação política, e da qual foi o primeiro pianista. Pianista, aliás, forjado pela excelência do Conservatório Musical de Lins.

Tato Fischer canta, compõe, dá aulas de piano, cuida da preparação vocal de profissionais cuja ferramenta de trabalho é a voz, rege o coral folclórico por ele criado, o Amídalas Cantantes e, toda quinta-feira, apresenta, na Rádio Pax, online, o programa musical Canto de Luz, vitrine daquilo que existe de melhor na canção brasileira independente. Há um ano, criou o sarau lítero-musical “Quartaquarta”, que apresenta toda quarta quarta-feira, no Julinho Clube, em São Paulo. Um sucesso na cidade.

Nos intervalos é o mágico que encanta crianças de oito a oitenta. Com certeza, um talento que herdou do pai. Tato também é terapeuta dos mais sérios. Estudioso e praticante apurado da técnica conhecida como crânio-sacral, que, no combate às doenças, propõe, pelo simples toque leve das mãos, potencializar a capacidade de cada pessoa, de se curar a si própria.

Tato Fischer é mago em todas as artes

Cantar e cantar – O homem plural de si mesmo confessa que, na lista de tantas atividades, a que mais o “diverte” é a possibilidade de cantar. “Nada me dá mais prazer, embora ensinar canto e piano seja uma alegria”, diz. O prazer de ensinar talvez explique a capacidade que Tato exibe, de produzir cantores impecáveis. “Qualquer pessoa, mesmo a mais desafinada, pode aprender a cantar. E muito bem”, assegura. Mais do que isso, ele prova, mostrando, devidamente gravados, o antes e depois de alguns alunos.

“A primeira coisa a fazer, aqui, é descobrir a pessoa que quer cantar. Quem é você? Antes de qualquer coisa, vou ouvir você, perceber o que você faz e trabalhar a partir daquilo que você está me trazendo. Daí a função terapêutica. A ideia é buscar e potencializar o que cada um tem de melhor. Como se fosse uma terapia mesmo. Uma terapia que ajuda a pessoa a ser melhor e mais feliz”, resume Tato Fischer. Atento, ele chama a atenção, porém, para a necessidade de não privilegiar a técnica, que, mal utilizada, pode inibir, amordaçar e matar o cantor que já nasceu pronto.

Irmão do médico e também cantor, compositor e pianista Iso Fischer, Tato participou de vários festivais de música, além de dirigir e integrar grupos de teatro como ator e músico. Em meio aos muitos prêmios, figura o concedido pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) pela peça de teatro “Foi bom, meu bem?”, de Luís Alberto de Abreu e o Mambembe de Direção Infantil, por “Dom Chicote Mula Manca”, de Oscar von Pfuhl.

Todos esses talentos, ingredientes, verdadeiras especiarias de uma mesmareceita, integram o pacote de serviços de consultoria que Tato Fischer presta a empresas interessadas em usar a arte, sobretudo, o canto, como fator de motivação, para promover a produtividade de colaboradores cujo desempenho dependa da desinibição e proatividade.

O homem apaixonado pela cantoria reconhece que a informação sobre os muitos desenhos da alma humana, matéria-prima do profissional de Psicologia, percorre tudo aquilo que ele faz. Uma espécie de cereja do bolo… Judeu agnóstico, a religião de Tato Fischer é a própria vida, que, para ele, está sempre em festa. Regada a muita música, claro!