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O DJ carioca que nasceu na Itália

Por Lucia Helena Corrêa

Aos 35 anos, envergando o típico sotaque dos jovens de zona sul do Rio, Di Napoli nasceu na cidade de Sorrento, coração da Itália. A paixão pelo Rio de Janeiro só não é menor do que a que ele imprime no trabalho de DJ.

“Estou nisso há 17 anos. E cada vez mais feliz com o que faço: levar a boa música às pistas de dança da noite carioca. Uma felicidade que cresce na razão direta com a qual se ampliam os recursos de trabalho nesta área, graças às novas tecnologias, que dão suporte ao talento natural, à vontade, ao capricho.”

Di Napoli lembra que, há 20 anos, em 1993, dois anos antes de a internet comercial chegar ao Brasil, tudo era bem mais difícil. “Antes, você tinha de percorrer as lojas, garimpar as músicas em vinil, adivinhar aquelas capazes de fazer as pessoas dançarem, produzi-las e lançá-las nas pistas. Mas a coisa era tão mais complicada que acontecia de um DJ ter a exclusividade de uma música. E os onerosos cursos de produção musical?”, registra Di Napoli.

 

 

Hoje, existe a internet, o download, além dos vídeos tutoriais que ensinam tudo e dos softwares que tornam quase tudo possível. “Hoje o DJ é um artista graças ao talento musical, à habilidade de produtor, mas, com certeza, também à tecnologia”, reconhece Di Napoli, que tem como referenciais de qualidade Fatboy Slim, o pioneiro da profissão de DJ; Tiësto, que, em 2007, reuniu 500 mil pessoas num show em Ipanema; e David Guetta, que, em 2009, agitou o Rio de Janeiro numa visita inesquecível.

 

 

Não chega a ser uma queixa, mas, quando está envolvido na produção, antes de chegar às pistas e ver as pessoas viajarem na música, o DJ é um solitário, admite Di Napoli. “Nosso maior e talvez único parceiro é o produtor musical com talentos de engenheiro de áudio. O meu se chama Paulo Jeveaux, o mesmo adotado pela Vanessa da Mata”, diz Di Napoli, para quem, no futuro breve, o DJ vai ter de agregar os talentos de bom músico e produtor.

O sucesso de Di Napoli não é gratuito. Dono de técnica refinada, ele conquista o público graças ao repertório que passeia entre o melhor do tech house, house e techno, com a qualidade de poucos DJs no mundo. É especialista em longas e perfeitas mixagens, habituado a se apresentar com quatro decks.

Bom de direção artística, Di Napoli é um dos principais responsáveis pelo crescimento da música eletrônica na cena carioca. Como destaque, o projeto D’Beatz, realizado na Nuth Lounge entre 2006 e 2008, foi a primeira festa indoor semanal a se consolidar na noite carioca, ao longo de dois anos, sempre com DJs convidados. Na qualidade de consultor da empresa XTZ Comunicação e Eventos, também produziu a House Connection, que já entrou para o calendário da cidade do Rio de Janeiro, e na qual já colocou para dançar quatro mil pessoas.

Dicas de carreira de Di Napoli

  • Ter intimidade com tecnologia: “A boa música das pistas, hoje, também é resultado da tecnologia, que facilita a evolução dos talentos.”
  • Ser versátil: “Produtor musical e DJ ainda são profissionais distintos. Mas, no futuro próximo, a soma dos dois dará origem ao músico eletrônico completo.”
  • Busque seu talento: “Ser DJ é mais fácil do que ser produtor: aprende-se fazendo. No máximo, precisa-se de certo feeling musical; o produtor tem de ser um músico irrepreensível.”