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Carnaval: a trajetória de um mestre de bateria

Mestre Markão conta como é comandar uma bateria de escola de samba

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Considerada o coração da escola de samba, a bateria é formada por dezenas de ritmistas que têm como principal obrigação embalar o desfile da agremiação e contagiar o público nas arquibancadas do Carnaval. E apesar da importância de cada instrumento, apenas um profissional é responsável por transformar esse emaranhado de notas em música: o mestre de bateria.

“É ele quem cuida de toda a regência como se fosse um maestro. Confere afinação, sincronização, posicionamento de cada instrumento e também trabalha a parte psicológica de cada ritmista”, explica Marco Antônio David, o mestre Markão, que comanda a bateria da Nenê de Vila Matilde no Carnaval – uma trajetória que começou ainda na infância, quando o jovem entrou na bateria mirim da escola.

“Comecei com 13 anos e fui ritmista até 2011. No ano seguinte virei diretor de bateria, auxiliando o trabalho do mestre Renato Sudário. Agora estou como mestre de bateria“, celebra Markão, que conta com a ajuda de dez diretores de alas, responsáveis por ajudá-lo a afinar os 186 integrantes da bateria da escola paulistana.

Carnaval: Markão, o mestre de bateria da Nenê da Vila Matilde

É na base da escola, na bateria mirim, que ele busca novos talentos para integrar seu time de ritmistas. “Começamos com as aulas da escolinha de bateria, que vai até setembro. Quem se deu bem lá automaticamente tem chance de vaga na bateria oficial”.

Assim que o samba-enredo é definido, por volta de agosto e setembro, os ensaios passam a ocorrer também aos domingos – rotina que se estende até o Carnaval.

Estresse da escola no Carnaval

Apesar da tranquilidade, Markão entende que no dia do desfile o estresse da escola está concentrado na bateria, cujo desempenho é vital para a vitória da agremiação. “A gente se espelha em mestres que passaram por aqui e fizeram um bom trabalho. Além disso, como dou aula de música, desenvolvi uma certa didática com a bateria”, conta.

“Estou realizando um sonho de menino e entendo que é preciso saber lidar com as vaidades e ter muito amor pelo serviço e pelas pessoas envolvidas. Agora estou à frente de uma bateria de mais de 60 anos. Alguns ritmistas têm tempo de bateria maior que a minha idade – gente que já passou por todos os mestres da história da escola. É preciso saber ouvir os mais velhos e conquistar o respeito deles”, salienta Markão.

Aos interessados em buscar essa posição, umas das mais notáveis do Carnaval, o mestre de bateria aconselha começar estudando música, principalmente em um momento em que os quesitos que envolvem as baterias são cada vez mais criteriosos. “Integrar uma escolinha de bateria também é importante, pois te dá noção da função dos instrumentos e da importância do trabalho em equipe.”

Markão: o mestre da bateria da Nenê de Vila Matilde no Carnaval

 

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