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Carnaval: o motorista de trio elétrico

Conheça o homem que já dedicou mais de 20 anos de sua vida ao Carnaval.

por Joceval Santana
fotos por Sora Maia

Espírito de folião ele tem, mas há mais de 20 anos não curte Carnaval da maneira mais tradicional, digamos assim, embora esteja no epicentro da folia todos os dias, fazendo a festa andar. Gilberto Campos Souza Júnior começou como motorista de trio elétrico aos 18 anos de idade e até hoje não largou o volante.

Até porque ele teve um upgrade que, à sua maneira, concilia profissão e diversão ao seu gosto musical: Gilberto entrou para a equipe da banda Chiclete com Banana, do qual integra a grande legião de fãs, e nem se incomoda de trabalhar de quatro a seis horas por circuito ouvindo Bell Marques e companhia – pelo menos até este ano, que marca a despedida do vocalista da banda. “E quem não gosta do Chiclete?”, pergunta ele.

Histórias de Carnaval

Ele lembra dias piores, quando tinha que esperar horas na fila de saída dos trios no Carnaval em Salvador. “Já peguei o fim da fila, lá na Ladeira da Barra. Já não tinha mais o que pensar na vida”. Na ordem do Carnaval baiano, o Chiclete é um dos primeiros a entrar no Circuito Barra Ondina. O que dá também mais tranquilidade para o motorista, que tem que levar o caminhão para fora do trajeto e, dia seguinte, posicioná-lo novamente.

Gilberto começou atrás, dirigindo o carro de apoio, para depois passar ao trio elétrico, conduzindo, com muita paciência, as mais de 70 toneladas de estrutura. “As coisas mudaram muito”, comenta ele, com a experiência de uma perspectiva única da folia. Gilberto pegou a criação do circuito Barra Ondina, a decadência e estratégias de resgate do circuito do centro, as transformações musicais originadas com o samba-reggae, a carreira extensa ou meteórica de artistas e as mudanças no visual do Carnaval.

Carnaval: motorista de trio elétrico Gilberto Campos Souza Júnior

“Hoje, você olha e só vê camarote. Pipoca (o folião sem abadá e fora do cordão dos associados) mesmo, só ali na subida do Cristo da Barra”, aponta. E olhe que a pipoca do Chiclete é conhecida, também, pela sua extensão”.

A folia baiana começa na quinta-feira e a maratona se estende até a Quarta-Feira de Cinzas, sem cessar. E, para aqueles que acham que motorista de trio elétrico é trabalho temporário, Gilberto lembra que imediatamente depois da folia já segue viagem. Afinal, o império da música de axé reina pelos carnavais fora de época, micaretas etc. Ele enumera: “Campina Grande, Natal, Fortaleza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e por aí vai”. Onde tiver folião e “chicleteiro”, Gilberto estará presente.

Confira mais informações sobre a profissão de motorista no Mapa VAGAS de Carreiras.