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Papel do motofretista ganha importância

por Fefa Costa

Com o trânsito cada vez mais caótico, o papel do motofretista ganha importância nas grandes cidades. Eles já são mais de 1,5 milhão no Brasil, considerado o país com maior número deste profissional no mundo. No Estado de São Paulo, são mais de 400 mil, responsáveis pelo movimento de uma economia mensal estimada em R$ 600 milhões – só na Capital. Para eles, tempo já foi considerado dinheiro. Hoje, o trabalho formal e a segurança no trânsito são prioridades para muitos.

Com piso salarial de R$ 1.000 e benefícios que podem chegar a R$ 3.000 – para quem trabalha por ponto (quilômetros rodados)- atuar como motoboy ou motogirl é uma opção de fonte principal ou complementar na renda de muitas famílias.

O reconhecimento da categoria, no entanto, chegou apenas em 2009, quando o Ministério do Trabalho assegurou o registro em carteira, piso salarial, aluguel da moto , seguro de vida e outros benefícios. “Com estabilidade garantida pela lei, o motoboy deixou a ‘vida louca’ no passado e foi buscar condições melhores de trabalho”, explica Gustavo Pires, presidente do Sindicato dos Motoboys de Osasco e região.

GUSTAVO

Mas mesmo com todas as lutas e vitórias, no País, menos de 60% destes profissionais optaram pela formalidade. A justificativa de muitos que seguem clandestinos é que os custos cobrados pelo curso e equipamento de segurança obrigatórios para o exercício da função são elevados.

O curso obrigatório custa, em media, R$ 250 e tem 30 horas de duração. “Alguns motoboys precisam aceitar a importancia da qualificação. Andar uniformizado, com segurança é ser respeitado no trânsito e nas empresas. Só assim deixaremos de ser confundidos com marginais e viver nossos direitos e deveres como todo e qualquer trabalhador”, fala Pires.

A responsabilidade pela segurança nas ruas é de todos
Wellington Corrêa do Nascimento trabalha como motoboy há oito anos. Viu a profissão melhorar de cinco anos para cá, com a regulamentação da prática pelo Ministério do Trabalho. “Trabalhei dois anos sem registro. Era um sufoco. Eu e a maioria dos colegas nem sabíamos sobre 13º ou qualquer outro benefício.” Mesmo para aqueles que seguem trabalhando como autônomo, a legislação prevê o valor mínimo de R$ 6,82 por trecho percorrido. A mudança fez com que eles, literalmente, não tivessem que correr mais atrás do relógio, como quando ganhavam por hora.

WELLINGTON

Nascimento orienta aos motofretistas que busquem sempre empresas que respeitem as leis e que, ao sentar na moto, o trabalhador pense em voltar para casa com segurança. “Vi amigos ficarem presos a cadeiras de rodas quando tentavam garantir o sustento da família. Com a lei de 2009, o número de acidentes reduziu. Ainda não é o ideal. Mas, melhorou muito.”

A violência do trânsito é o maior preocupação daqueles que trabalham pelas ruas das cidades. Ela faz parte da rotina dos motoristas e deve ser contida com a direção defensiva, atenção e muita calma. Segundo Nascimento, os dois lados erram: motoqueiro que abusa na velocidade e motoristas que trocam de faixa sem avisar, causando grandes estragos. Para ele, não adianta discutir a culpa, todo mundo deve assumir a responsabilidade pela segurança nas ruas.

Motogirl: conquista de espaços
Já não é raro encontrar motogirls. Elas mudaram o perfil da profissão e ganham cada dia mais espaço no mercado. “Quando cruzo com outra mulher trabalhando na moto, puxo conversa. Nos ajudar é uma forma de melhorar o trabalho”, diz Adriana Santos Lopes, que há sete anos trabalha como motofretista.

Ela garante que vencer preconceitos faz parte da rotina da mulher e que na sua área não seria diferente. “Não podemos perder nosso jeito em função do trabalho. Acho bonito uma mulher na moto ganhando o sustento de sua família, arriscando todos os dias. Merecemos respeito, só isso.”

Ela explica que muitas empresas querem pagar menos pelo fato da profissional ser mulher e que a ordem entre as meninas da moto é se valorizar. Outra preocupação de Adriana é com relação à poluição. “Hoje sinto os efeitos destes anos no trânsito na minha respiração. Temos ver um jeito de mudar isso.”

Uma dupla afiada
“A moto me deu liberdade e dinheiro para conquistar minha vida. Até hoje, a única coisa que perco em trabalhar como motogirl é a chapinha. Não tem jeito de manter a escova do cabelo”, finaliza, aos risos.