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O que faz a modelista no mundo da moda?

Por Lucia Helena Corrêa
Foto de Alexis Flores Perez

A cadeia produtiva da Moda, por definição, é multidisciplinar. A estilista desenha a peça, roupa ou acessório, quase sempre apontando as tendências em cada estação, quase sempre a cara mais visível e glamorosa das coleções. Mas há, também, figuras essenciais do processo, quase estrategicamente plantadas na retaguarda: a pilotista – costureira do tipo mão de fada, acabamento perfeito; o cortador, aquele que corta as peças, conforme o estilo, o molde e o piloto definidos; e a costureira que assopra a criatura – a peça, exclusiva ou em série –, e a faz existir, ganhar as ruas.

Na segunda posição, está o/a modelista, aquele/a que faz, em papel ou outro material qualquer, aquilo que o/a estilista desenhou… Essa é a praia de Hedenice Teixeira, a Nice, mulher “apaixonada pelo que faz”.

Também gosta de costura. Herança da mãe que fazia desde as peças mais simples até o vestido de noiva mais sofisticado. O pai, por sua vez, era luthier caprichoso e autodidata, capaz de construir e consertar qualquer instrumento de corda e sopro. E também,  máquinas de costura.

“Foi a admiração pelos meus pais, sábios analfabetos, artistas talentosos e amorosos, que desenvolvi o gosto pela confecção, pela moda, prazer que despertou em mim na meninice, quando vivia para desenhar, modelar e costurar roupinhas de bonecas”, conta Nice.

Aos 15 anos, ela recebeu da mãe uma calça do pai, para reformar e usar como matriz para moldes. E nunca mais parou.

Hoje, com atelier no bairro carioca do Engenho Novo, Zona Norte da cidade, o Nice Studio de Modelagem Free, a modelista trabalha para diversas indústrias em todos os materiais: seda, crepe, malhas, lycra, viscolycra,  etc. Confessa que o couro tem preferência absoluta, para modelagem roupas e acessórios: sapatos, bolsas, cintos e até bijuterias e capas para instrumentos musicais. Fora o artístico e minucioso trabalho da restauração.

Um de seus orgulhos foi ver uma de suas peças – vestida em uma socialite – fotografada para a colunista Hildegard Angel, no Copacabana Palace.

“Não saiu meu nome, como quase sempre, mas, se ela foi apontada como uma das mais elegantes da festa…”, orgulha-se.

Dicas de carreira da Nice

  • Paixão desesperada pelo que faz. Se for somente pelo dinheiro, que é bom, sim, quando se tem qualidade, não vai valer a pena;
  • Estudar, atualizar-se sempre e, mais do que isso, andar adiante do próprio tempo;
  • Talento! Desenvolver um bom traço. Que seu crítico, aliás, seja o próprio modelista.