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A moda como exercício da ideologia

Por Lucia Helena Corrêa

Quem se lembra do tempo em que o estilista de moda se limitava a desenhar roupas, boa parte das vezes restritas ao ambiente glamuroso das passarelas, mas impensáveis para o uso diário? Quem se lembra da época em que a moda servia, exclusivamente, ao padrão estético, mais ou menos descartável?

Esqueça.

“O estilista de moda e ela própria, a moda, estão bem mais politizados. Cada dia mais, a moda se associa à atitude, de pessoas e comunidades”, testemunha Elisa Arruda. Na sustentação da tese, ela cita como exemplo a marca Daspu, criada em 2005 pelas prostitutas ligadas à ONG Davida, a fim de gerar recursos para bancar os projetos sociais da entidade. Uma “resposta” à marca Daslu, o suprassumo do luxo em matéria de moda.

A visão social da estilista Elisa com certeza tem tudo a ver com o espírito, a estética, a orientação popular dos cursos que frequentou: a escola de Desenho Industrial da PUC-Rio e de Moda  no Senai. Depois dos empregos nas indústrias Alessa, Mary Kaide e Chester, e do negócio de bolsas que não deu certo, a grife própria de camisas bem cortadas não para de crescer. E seria, finalmente, motivo para sossego, não fosse o espírito inquieto de Elisa, sempre de olho em novas possibilidades de criação. Mãe de Olívia, de seis meses, ela já namora a moda infantil, buscando o traço original, mas que remonte ao romantismo das décadas de 1920 a 1960, sem perda da funcionalidade que os dias de hoje requerem.

“O mercado infantil, enorme, não revela apenas possibilidades de ganho financeiro, mas de satisfação profissional, para quem gosta de criar”, argumenta a estilista, a quem a moda traz felicidade, porque permite conceber com o pragmatismo que sempre a caracterizou: mistura equilibrada do clássico com o despojado. “Sempre, sempre, alguma coisa portável no dia a dia”, resume.

Dicas de carreira de Elisa

  • Moda é, cada vez mais, atitude, contestação.
  • O estilo que melhor atende aos estilistas pragmáticos mistura o clássico e o despojado.
  • A moda infantil é atraente para quem sonha com o estilo romântico (o vintage), sem perda da praticidade das peças.
  • A mão de obra escrava, atualmente, é a grande chaga do mercado da moda e da confecção.
  • Não dá para concorrer com marcas que não pagam salários e importam, da China, livre de impostos, a melhor seda pelo menor preço.