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Costureiras são espinha dorsal do Carnaval

Até o desfile, profissionais trabalham de seis a oito meses por ano com fantasias

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

A alegria do Carnaval é personificada pelo uso das fantasias. Sem elas, a festa mais famosa do país não passaria de um encontro em que pessoas dançam ao som do samba – nada diferente do que se vê em bares durante o ano inteiro. Por conta disso as escolas de samba sabem que um bom grupo de costureiras é vital para um desfile bem sucedido.

Coordenadora do grupo de costureiras da escola X-9 Paulistana, de São Paulo, Lucila Fernanda dos Santos Abreu entrou nesse meio por indicação familiar. Apesar do curso de magistério, a vontade de lecionar perdeu para a de seguir os passos da mãe, costureira com mais de 30 anos atuando em escolas de samba de Carnaval.

“Ela é costureira fixa da Rosas de Ouro, mas fazia trabalhos em casa para outras agremiações, como Nenê de Vila Matilde e Leandro de Itaquera. Quando o pessoal da X-9 Paulistana a convidou para integrar a equipe deles, ela não pôde ir, mas me indicou para o cargo”, conta Lucila, que desde então integra o time da escola.

Trabalho temporário no Carnaval

Apesar de temporário, o trabalho de costureira consome em média de seis a oito meses, tendo início por volta de julho, momento em que os primeiros desenhos são entregues para o desenvolvimento das peças-piloto. “Cuidamos da modelagem e do corte das fantasias, que são apresentadas para a comunidade e só depois entram no esquema de produção”, explica a coordenadora, que nesse início de atividade conta apenas com mais duas profissionais.

Carnaval: escola X-9 Paulistana costureira Lucila Fernanda dos Santos Abreu

Em outubro, no entanto, quando o visual do Carnaval já está decidido e as fantasias definidas, a equipe infla. Passa para, em média, 10 pessoas integrando o time. “Trabalhamos oito horas por dia em esquema de produção. Todo mundo faz ao mesmo tempo uma parte da fantasia e passa para outra.”

Espuma e palha

Entre os desafios encontrados na profissão, a coordenadora ressalta o uso de espuma e palha, que consomem mais tempo e requerem cuidado na hora do trabalho. “Não é todo mundo que domina a técnica da espuma”, diz Lucila, que costuma analisar como as candidatas ao trabalho na escola lidam com tais materiais para as fantasias do Carnaval.

“Para trabalhar na escola precisa saber costurar. Sempre que aparece alguém pedindo emprego eu converso com a pessoa e faço um teste. Se ela senta na máquina e vai bem, a gente continua. Se não consegue produzir, se embaraça, acabamos dispensando. É claro que no primeiro dia uma costureira novata fica nervosa, mas depois que já acostuma com o ambiente.”

Como se trata de um trabalho temporário para o Carnaval, Lucila aconselha que as interessadas tenham condições de se manter no resto do ano. Ela, por exemplo, costura para uma fábrica e pega serviços indicados por uma amiga. “É preciso, antes de tudo, ter compromisso com o trabalho, além de pontualidade e disciplina. E ter amor aquilo que esta fazendo”, comenta.

Confira mais informações sobre a profissão de costureira no Mapa VAGAS de Carreiras.