Home > Carreiras > Meteorologia > Meteorologia: profissão cheia de boas oportunidades

Meteorologia: profissão cheia de boas oportunidades

por Marcus Lopes
fotos por Rogério Montenegro

Alguns trabalhadores vivem com a cabeça nas nuvens durante o trabalho. Ainda bem. São os meteorologistas, uma profissão que ganha destaque cada vez maior diante das adversidades do clima e a necessidade de compreender e antecipar, o máximo possível, as mudanças climáticas. Apesar de ser um mercado em expansão, é necessário, no entanto, ficar atento para as particularidades da carreira antes de abraçar o segmento.

“Como os primeiros contatos que temos com a meteorologia, ainda na escola, são nas aulas de geografia, as pessoas pensam que se trata de uma carreira de humanas, o que é um erro”, explica Everson Dal Piva, coordenador do curso de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul. A profissão é regulamentada por lei federal e é necessário cursar a faculdade de meteorologia. “A pessoa que quer se tornar meteorologista tem de gostar muito de física e matemática, que são as bases iniciais do curso”, completa Piva.

A vice-presidente da Climatempo, Ana Lúcia Frony, concorda. “É necessário se informar sobre o assunto. Muitos pensam que é algo como geografia ou jornalismo, mas meteorologia é física de fluidos. Parece complicado e é. A pessoa precisa gostar de matemática, física, programação de computadores e estudar muito”, diz Ana Lúcia (abaixo, à direita), lembrando que a preparação de um meteorologista sênior, após concluir a faculdade, demora, em média, cinco anos.

Ana_Freny_200 um

Nesse período, o jovem profissional vai passar por vários estágios técnicos e etapas nas mais diversas áreas da profissão. A principal função do meteorologista é dedicar-se às ciências atmosféricas, principalmente o clima. A previsão do tempo é a função mais conhecida da população, mas ela não é a única atividade da profissão. É necessário preparar mapas meteorológicos, verificar a veracidade das informações coletadas, conferir índices de acertos e discutir em grupo os dados sobre previsão do tempo.

A meteorologia é fundamental para o gerenciamento e planejamento de diversos setores da economia e infraestrutura, como a agricultura e a disponibilidade de água em grandes reservatórios. O melhor exemplo recente é a grande estiagem enfrentada este ano pela Região Sudeste. A falta de chuvas comprometeu seriamente a disponibilidade hídrica em represas do Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo.

“A previsão meteorológica a curto prazo é utilizada para alertas de inundações, alagamentos e escorregamentos de encostas, entre outras coisas que envolvam as condições do tempo”, diz a meteorologista e chefe do departamento de meteorologia da Climatempo Bianca Lobo, que destaca outros aspectos da profissão.

Carreira acadêmica
“Um meteorologista pode seguir carreira acadêmica para o avanço do conhecimento dos processos atmosféricos, fazer estudos de impacto ambiental, trabalhar com o desenvolvimento de novos modelos meteorológicos, trabalhar na análise química de poluição atmosférica e outros setores que envolvem os processos atmosféricos”, enumera Bianca.

A profissão ainda chama pouco a atenção dos jovens, em comparação a outras carreiras. A média salarial, segundo a Climatempo, é de R$ 5 mil, mas é possível ganhar mais, conforme a evolução profissional. Everson Dal Piva, da UFSM, lembra que, como não é uma profissão muito conhecida, poucos se aventuram na carreira e raramente você vai ouvir uma criança dizer “quando crescer vou ser meteorologista”. “Isso é muito mais comum com bombeiros, médicos e outras profissões que estão constantemente na mídia”, brinca Piva.

Isso não impede que a carreira esteja em ascensão e ofereça boas oportunidades profissionais, tanto no setor público como na iniciativa privada, que começa a recrutar cada vez mais meteorologistas nas áreas estratégicas. A operação de grandes equipamentos, como guindastes, exige um meteorologista para analisar a direção dos ventos. O mesmo ocorre nos portos: a movimentação dos navios próximos ao cais exige um estudo detalhado dos ventos e das marés.

Setor público
O setor público também está em franca expansão. “Muitos estados criaram seus centros estaduais de meteorologia e estão contratando muitos profissionais”, explica Dal Piva. “Mesmo os grandes institutos, como o Instituto Nacional de Meteorologia, que ficou um grande tempo sem aumentar seus quadros, voltou a contratar novamente”, completa Piva. A grande expansão do setor aéreo brasileiro também abriu vagas para meteorologistas na operação dos aeroportos.

Um dos grandes entraves é o pequeno número de faculdades que oferecem o curso de graduação – menos de 20 em todo o País. Algumas regiões brasileiras importantes, como a Centro-Oeste, não possuem um único curso de graduação em meteorologia, apesar do estudo do clima ser vital para a agricultura. “Muitos alunos se formam no Sul e vão trabalhar no Centro-Oeste”, diz o coordenador da UFSM. Piva lembra que a situação melhorou um pouco após a passagem do furacão Catarina pela região Sul do Brasil, em 2004, causando grandes prejuízos. “A passagem do furacão impulsionou a criação de novos cursos”, conta.

A meteorologista Bianca Lobo (abaixo, de pé) reclama dos problemas que ainda são enfrentados na carreira. “No Brasil ainda existe preconceito em relação à profissão. Algumas pessoas ainda acham que a previsão do tempo não serve para nada ou que está sempre errada. A falta de dados de estações e imagens de radar e satélite também dificultam o trabalho dos meteorologistas no País”, diz Bianca.

Biana_Lobo_172 dois

E que ninguém tenha a ilusão de que uma previsão seja 100% correta. “Os avanços tecnológicos permitem que as previsões se tornem mais precisas, mas ainda não são exatas. As fórmulas relacionadas aos movimentos atmosféricos são muito complexas e, mesmo com a tecnologia de hoje, não podem ser completamente resolvidas”, explica Bianca.