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Trabalho do oncologista vai além do físico do paciente

Médico do Instituto do Câncer, em SP, fala dos desafios diários da profissão

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

O trabalho do oncologista, responsável pelo tratamento do câncer, é sem dúvida uma dos mais complexos e desafiadores. Foi exatamente essa combinação que atraiu o médico Felipe Roitberg, oncologista do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

“Sempre gostei de cuidar de pacientes que apresentassem muitos desafios, não apenas referentes aos problemas físicos, mas também no lado psicológico. No caso de quem está tratando um câncer, isso é muito complexo”, afirma o profissional, que define a atuação do cancerologista de forma abrangente.

“É ele quem trata do paciente com câncer em toda a sua dimensão, atuando próximo ao cirurgião e ao radioterapeuta da mesma forma que um maestro numa orquestra. Cabe ao oncologista definir o tratamento ideal, dizendo quando um paciente deve operar, quando fazer a quimioterapia ou seguir em observação”, explica.

Complexidade
Por conta dessa complexidade, o médico dá extrema importância ao momento da consulta, ocasião em é preciso prestar atenção em todas as queixas do paciente e explicar tudo nos mínimos detalhes. A consulta no Instituto do Câncer de São Paulo, segundo Roitberg, dura sempre mais que 30 minutos.

Felipe Roitberg  oncologista do Instituto do Câncer do Estado de SP

“Não é uma consulta em que você dá o remédio e se despede. Por isso acho esse tempo adequado. Exceto para o primeiro contato, aí a consulta chega até uma hora, pois você precisa entender o caso e conhecer melhor o paciente”, conta. Ele salienta a importância de o profissional ser um bom ouvinte. “Às vezes as informações que o paciente passa são subliminares.”

Roitberg diz que em hospitais de ponta de São Paulo o oncologista conta com o auxílio de “superespecialistas”, citando como exemplos dermatologistas que trabalham apenas com o tratamento do câncer de pele e cirurgiões especializados somente em tumores no pulmão – fato que minimiza a possibilidade de sequelas após a operação.

Sistema público
Porém, muitas instituições não estão preparadas para dar o tratamento certo – algumas inclusive limitando medicações e exames. “Isso acontece no sistema público de forma geral, mas também no sistema privado. Os planos estão cada vez mais restritivos, negando ordens médicas e pedindo justificativas em excesso – e isso angustia muito a gente”, lamenta.

Aos interessados em entrar nesse mercado competitivo, Roitberg aconselha dedicação e atualização, além de amor pelo ofício. “É uma profissão dura. O índice de oncologistas com estafa é alto, pois ela exige muito do tempo do médico, além do estudo e a dedicação a um paciente que demonstra um grau maior de sofrimento – e que às vezes cabe a você apenas confortá-lo em sua trajetória.”