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Já pensou em ser acupunturista?

Presidente da Associação Brasileira de Acupuntura fala da profissão no País  

por Guss de Lucca
foto por Newton Santos

Atire a primeira pedra quem nunca ouviu falar do acupunturista, profissional que atua no ramo da medicina tradicional chinesa utilizando aplicações de agulhas em pontos definidos do corpo para diversos tratamentos. A história do médico Evaldo Martins Leite está intrinsecamente ligada a essa prática no Brasil. Aos 85 anos, o presidente da ABA (Associação Brasileira de Acupuntura) é um dos grandes difusores da acupuntura no País desde a década de 1950.

“O que me levou a acupuntura foi minha curiosidade sobre aquela especialidade até então desconhecida. Em São Paulo ela existia desde o século 20, por conta dos imigrantes japoneses, mas permanecia restrita aos grupos orientais, algo fechado”, explica ele, que tentou, sem sucesso, extrair mais informações na época com estudantes nisseis da Faculdade de Medicina da Santa Casa, onde lecionava.

Tudo mudou quando Leite conheceu Frederico Spaeth, tido como responsável pela introdução da acupuntura no Brasil. “Em 1958 organizamos um curso em São Paulo e no mesmo ano fundamos a ABA. Hoje temos milhares de médicos e não médicos atuando no País”, relata o acupunturista. Ele explica a prática de duas formas distintas: a tradicional e a moderna.

Desiquilíbrio
“Na visão tradicional, chinesa, a acupuntura regula as energias circulantes no corpo, agindo diretamente nos distúrbios de saúde existentes por causa de um desequilíbrio entre elas. Já a explicação científica, moderna, diz que ela atua sobre o sistema nervoso central desencadeando reflexos curativos que, dependendo do ponto, envia comandos para o órgão em questão normalize sua função”, explica.

Apesar de cada vez mais difundida, Leite afirma que a prática ainda tem espaço para crescer no País, pois cada vez mais as pessoas têm perdido o medo de encarar as agulhas. “No Brasil quase todos os pacientes chegam com medo na primeira aplicação, mas logo sentem que a dor praticamente inexiste”, afirma o médico, que vê na parte teórica a maior dificuldade na formação de novos profissionais.

“A parte teórica é fundamental, pois é ela que ensina ao aluno como fazer um diagnóstico eficaz e a partir dele determinar os pontos que serão estimulados pelas agulhas. Já a parte prática é simples – o manuseio em si das agulhas qualquer criança aprende”, revela Leite.

Segundo o veterano, há espaço para novos profissionais no mercado de trabalho. Hoje, eles são cerca de 30 mil. “O indivíduo que faz acupuntura com regularidade adoece menos e quando adoece tem recuperação mais rápida. Daí a importância em formarmos novos especialistas nessa prática médica.”

*O Dia do Acupunturista é comemorado em 23 de março