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Mecanógrafo: paciência e detalhismo

Profissional fala da rotina consertando máquinas de escrever e relógios de ponto

por Guss de Lucca
fotos por Stéfani Parno

Com o mundo mergulhado na era digital, é curioso encontrar profissões que lidam diretamente com aparelhos que deixaram de fazer parte do nosso cotidiano – como as máquinas de escrever. Porém, engana-se quem pensa que o mecanógrafo, especialista no conserto desse tipo de maquinário, é um profissional em extinção.

Morador de Americana, no interior de São Paulo, Wandualdo Zappia acumula mais de 40 anos de carreira dentro da mecanografia. “O termo é usado para quem conserta máquinas de escrever, mas com o tempo se expandiu para outros aparelhos de escritório, como calculadoras mecânicas e relógios de ponto cartográficos”, conta.

Foi na adolescência que ele entrou, por indicação de um professor, nesse mundo de peças e engrenagens. De lá para cá foram mais de 30 cursos de especializações em diversos modelos de máquinas. “O primeiro que fiz foi dentro da fábrica da Olivetti, de onde saí como mecanógrafo autorizado.”

Wandualdo Zappia mecanografia

A constante profissionalização fez de Zappia chefe de oficina, cargo que deu a ele segurança para abrir sua própria empresa pouco mais de uma década após iniciar-se na área, em meados de 1987.

Chegada dos computadores
“Lembro de quando começaram a chegar os computadores. Na época cada empresa tinha dez máquinas de escrever e um micro. Hoje elas têm dez computadores e talvez uma máquina de escrever escondidinha num armário”, afirma ele. Hoje, o mecanógrafo se mantém na ativa por causa dos relógios de ponto.

“Atendo em torno de dez empresas por dia consertando relógio de ponto cartográfico. Muito de vez em quando aparece alguém com uma máquina de escrever”, explica. Aos saudosistas, o recado: ele vende máquinas usadas. “O preço varia em média uns R$ 130, depende do modelo”, diz.

Wandualdo Zappia mecanógrafo mecanografia

Apesar da existência do relógio de ponto eletrônico, o cartográfico continua em alta principalmente pelo preço. “Não compensa para a empresa pequena, com menos de 50 funcionários, investir no eletrônico. E no caso das construtoras, que levam seis meses pra subir um prédio e têm em média 200 empregados na obra, o relógio cartográfico é mais indicado pelo simples manuseio e por ser facilmente adaptado em outro canteiro”, explica Zappia.

Para aqueles que quiserem se aventurar no mercado da mecanografia o veterano aconselha paciência, detalhismo e muita vontade de trabalhar. “Além disso, o segredo é atender bem o cliente. Desde que fundei a empresa, em 87, nunca distribui um cartão de visita – tudo aconteceu no boca a boca.”

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