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Estratégia é com o assessor de imprensa

Mais que assessorar o candidato, jornalista atua em diferentes frentes

por Marcus Lopes
foto por Newton Santos

Mais do que uma ponte entre o candidato e a mídia no dia-a-dia da eleição, o assessor de imprensa de uma campanha eleitoral tem de ser um bom estrategista. Cabe a ele analisar o que está sendo divulgado nos meios de comunicação, passar um briefing para o candidato, prepará-lo para entrevistas e todas as situações que envolvem o político e os jornalistas responsáveis pela cobertura diária da campanha.

“O assessor de imprensa tem de ser um jornalista o mais completo possível: capacidade de absorver informações e raciocínio político para identificar oportunidades, antever problemas e sugerir ações corretivas”, explica o paulistano Flavio Mello, assessor de imprensa do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), atual candidato ao senado federal.

Jornalista há mais de 20 anos e com experiência em grandes redações, como O Estado de S.Paulo e Diário Popular, Mello deixou as redações e partiu para a assessoria de imprensa no início dos anos 2000. Na bagagem, a experiência acumulada de anos na reportagem política, o que facilita na hora de antever as perguntas dos repórteres e fazer com que o seu candidato tenha um bom desempenho. “Sempre gostei de política, ao deixar o jornalismo, fui trabalhar para o governo do Estado (de São Paulo)”, conta.

Equilíbrio emocional
Segundo o assessor, quanto maior for o grau de informação, ou seja leitura e apuração, menor a chance de surpresas. “A criatividade das pautas é relativamente baixa, portanto, prever não é tarefa difícil. Na medida em que a equipe (da campanha) mantém o controle da situação, menor a tensão. Mas o nível é elevado e é necessário equilíbrio emocional. Planejar e ter equipe envolvida é fundamental”, ensina Mello.

O profissional está em sua quarta campanha eleitoral. Em 2006, ele integrou a equipe da campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência. Depois, fez uma campanha municipal, estadual e, agora, ao senado.

Em todas elas, o ritmo frenético é uma das maiores dificuldades. “Longas jornadas, poucas horas de sono, decisões rápidas. É o nosso cotidiano”, diz. “É necessário ler o maior número de jornais, revistas obrigatórias, portais de notícias e também mídias sociais para traçar estratégias, pautas, antecipar-se a novas tendências e agir para evitar fatos e versões negativas.”

Campanha de 2006
Em compensação, a experiência é única e gratificante para a carreira. Um dos destaques é a campanha presidencial de 2006, quando percorreu todo o Brasil com o candidato tucano.  “São muitos os episódios marcantes. Mas, em 2006, na Rocinha, percebi como a ilegalidade pode assumir o papel do Estado em comunidades que se formaram sem planejamento e sem os serviços básicos, como saneamento, energia, água tratada etc”, lembra Mello.

“Depois, nos becos, vielas úmidas e malcheirosas, entendi como é sofrida a vida dos moradores, dos policiais que tem de perseguir traficantes e dos próprios bandidos, já desgraçados pela própria situação”, completa.

*Leia as outras matérias do nosso Especial Eleições e confira o cargo de assessor de imprensa no Mapa VAGAS de Carreiras.