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Especialização ajuda o profissional do jornalismo

Repórter do Jornal da Cultura em SP fala de sua trajetória e do mercado atual

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Quem assiste a breve aparição de um repórter na TV pode achar que se trata de um serviço simples, rápido e ainda assim glamoroso, afinal, a televisão exerce um fascínio naqueles que desconhecem seu funcionamento. Porém, para quem respira jornalismo no dia-a-dia, caso da repórter Luiza Moraes, nem tudo são flores.

Formada na Universidade Católica de Pelotas, no Rio Grande do Sul, a jornalista de 47 anos está há mais de uma década no Jornal da Cultura e já passou por situações complicadas em diversos momentos de sua carreira, como na ocasião em que ficou no meio de fogo cruzado. “Durante uma reintegração de posse acabamos entre a linha de tiro da brigada militar e os sem-terra. Uma bala passou raspando e rasgou a ombreira do meu casaco”, recorda ela.

Recentemente foi surpreendida por uma bomba de efeito moral disparada pela polícia militar durante um dos protestos do Movimento Passe Livre, em São Paulo. “Na rua estamos entregues as feras e passamos por tudo”, ressalta.

Salário
A carreira de Luiza começou cedo. Mesmo antes de se formar ela já foi recrutada pelo jornal Diário Popular, que tem circulação na região sul. A mudança para as telas aconteceu quando a repórter ficou sabendo que estavam abrindo testes para a recém-inaugurada TV Manchete de Pelotas.

“Eu não queria fazer, pois havia uma ideia de que jornalista sério trabalhava em impresso. Televisão era vista como algo para quem queria aparecer. Eu resisti até descobrir que o salário era o dobro do que ganhava no jornal”, recorda, rindo.

repórter Luiza Moraes Jornal da Cultura SP

“Comecei a trabalhar em TV e nem tinha cursado a cadeira de telejornalismo. Não sabia segurar o microfone. Aprendi na marra, com ajuda da equipe”, conta Luiza, cuja trajetória até chegar à TV Cultura, em São Paulo, passou por emissoras de Pelotas, Bauru e Florianópolis.

Após uma breve passagem pela Rede TV!, em 2005, ela foi chamada pela produção da Cultura, onde atuou, além de repórter, como produtora e na chefia de reportagem. “Esse ano completei dez anos no Jornal da Cultura”, diz Luiza, que trabalha oito horas por dia e faz, em média, duas marcações com entrevistados e links ao vivo.

Cotidiano
“É um cotidiano corrido pois você tem prazo para entregar o material – se não vira uma bola de neve. O atraso da captação compromete a edição e a matéria não entra na hora no ar. Numa cidade com o trânsito de São Paulo fazer tudo isso é um desafio diário”, reflete a repórter, que também enxerga a busca por boas fontes outra tarefa difícil da profissão.  “Geralmente os bons entrevistados, especialistas em determinado assunto, são pessoas ocupadas e requisitadas”, completa.

Aos futuros jornalistas a repórter dá algumas dicas importantes. “O mercado está um pouco saturado, então acho que cursar uma faculdade bem conceituada pesa na hora de procurar emprego, assim como se especializar num assunto que tenha afinidade, como economia ou esporte. Hoje o profissional que sabe mais de determinado assunto é bem valorizado”, avalia, sem deixar de comparar a relação com o jornalismo com a de um casal.

“Sempre digo aos estudantes pra imaginar que o jornalismo é como aquele parceiro com quem você vai dormir e já acorda pensando nele. É uma profissão que te toma por completo, por isso é importante gostar muito do que faz.”