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Informática biomédica o quê?

Apenas USP de Ribeirão Preto e Federal do Paraná oferecem o curso

por Heloisa Valente
foto: arquivo pessoal

A carreira de informática biomédica é bem recente no Brasil. Existe há 11 anos e apenas duas universidades têm o curso à disposição: a USP de Ribeirão Preto e a Universidade Federal do Paraná. E foi no interior de São Paulo que Mário Sergio Adolfi Jr, presidente da Kidopi Soluções de Informática Médica, ingressou na terceira turma do curso.

É uma profissão que, de acordo com ele, sempre exige explicação: Você faz o quê? Informática? Biomedicina? Informática o quê? As perguntas são comuns e a resposta é única: informática biomédica, profissão que alia conhecimento amplo da engenharia da computação e da área da saúde. “É um curso difícil e dinâmico. Em período integral, não é raro ter aulas de cálculo pela manhã e anatomia à tarde”, diz.

Ele chegou à profissão por acaso. “Na época do vestibular, não tinha definido o que gostaria de cursar. Pensava em engenharia, administração e por aí vai. Então, minha mãe lendo o manual da Fuvest sugeriu informática biomédica. Sempre quis estudar algo que pudesse fazer diferença na vida das pessoas, mas não queria ser médico. Arrisquei”, conta.

E o saldo dessa empreitada é altamente positivo. Graduado em informática biomédica e doutorando em ciências médicas pela USP, ele acaba de receber o prêmio MIT Technology Review Inovadores, para jovens de até 35 anos que trabalham para encontrar soluções que resolvam problemas reais da sociedade através da tecnologia.

Mário Sergio Adolfi Jr

A invenção
Ele e a equipe da Kidopi desenvolveram o Clever Care, um framework inteligente (programa de atendimento remoto) que auxilia pacientes com câncer na administração de remédios e no combate aos efeitos da medicação através do sistema, sem a necessidade da presença física no hospital. É um canal de comunicação que funciona 24 horas por dia, podendo ser acessado por pacientes e médicos.

“Através de SMS o paciente é acompanhado e pode tirar dúvidas sobre medicamentos e procedimentos a adotados ao longo do tratamento. Assim, ele é permanentemente assistido até o retorno na próxima consulta”, explica. O sistema está sendo testado na favela Erundina, em São Paulo, e será ampliado a comunidades do Rio de Janeiro, como a do Morro da Providência.

“A expectativa é auxiliar a gestão de aproximadamente 5 mil pacientes, ampliando o atendimento também para gestantes nessas comunidades e atender um plano de saúde nessas duas áreas”, destaca.

Campos de atuação
O profissional de informática biomédica pode atuar, entre outros campos, com procedimentos sistêmicos, desenvolvendo programas para redes de saúde; diagnósticos de imagens médicas, genética, pesquisas em biociências e gestão de hospitais e centros médicos. “Há um potencial gigantesco para o crescimento das oportunidades na profissão”, diz.

Adolfi ressalta que pelo fato da profissão ser nova, ainda existe carência de profissionais diante da demanda. Mas garante que quem está no mercado é altamente especializado e, por isso, a remuneração pode ser bem variada.