Home > Carreiras > Geologia > Geologia: entre escavações, mosquitos e paisagens deslumbrantes

Geologia: entre escavações, mosquitos e paisagens deslumbrantes

Por Udo Simons
Foto de Rogério Montenegro

Quando Felipe Brito Mapa começou a falar sobre sua experiência em ser geólogo eram 18 horas. Uma hora depois do inicio da entrevista, a sensação era de haver transcorrido apenas cinco minutos de conversa, tamanha era sua empolgação em falar da profissão; e tantos e tão interessantes eram os exemplos utilizados por ele, para didaticamente, explicar a vida de um geólogo.

“A geologia ainda é muito nova como ciência. No Brasil, então, temos faculdade há apenas 50 anos.”

E mais, uma das grandes revoluções nos estudos geológicos, data do final da década de 1960. É a Teoria Tectônica de Placas, que, resumidamente, identificou a movimentação dos imensos blocos de sustentação dos continentes e oceano, as placas tectônicas.

“Para a geologia, esse estudo tem o impacto da Teoria da Evolução, elaborada por Darwin.”

Felipe tem 31 anos. Há sete é geólogo profissional. Hoje, trabalha na CPRM – Serviço Geológico do Brasil, empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia, onde ocupa o cargo de pesquisador em geociência. Na prática, ele sai a campo para coletar água de rio, solo e sedimentos. “Daí, analisa-se a distribuição dos elementos químicos nas amostras para identificação dos minerais preponderantes.” Como resultado, gera-se um mapa da distribuição de elementos químicos no país. São estabelecidas suas concentrações e localidades, possibilitando a extração mineral adequada às áreas mapeadas. Atualmente, Felipe participa do Projeto de Levantamento Geoquímico da CPRM em São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Até o fim do ano, o mapa de São Paulo será publicado.” O de Mato Grosso do Sul levará algum tempo. “O estado é muito grande e há certa dificuldade em se trafegar por ele.”

Quem ouve o tom de sorriso da fala de Felipe ao explicar seu cotidiano, logo nota sua identificação com o que faz. Mas a descoberta da geologia como sua profissão ocorreu por acaso. “Uma colega de cursinho me disse que tinha a cara de geólogo.” E que cara é essa? “De quem gosta de aventura, de viajar.” As viagens, de fato, se tornaram constantes em sua vida. Atualmente, ele passa 20 dias em campo e 10 de folga. “Quem viaja ganha folgas proporcionais. É prática do mercado.” Sem contar com as mudanças de endereço. No caso dele, desde sua formação, em 2007, já morou em São Paulo, Rondônia, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

Mas a “vida nômade” recompensa para quem pensa em termos de carreira e salário. O mercado de trabalho de geologia paga bem quando comparado ao de outras profissões. A média salarial para quem começa é de R$ 6 mil. Medicina, por sua vez, R$ 3 mil. E há muitas vagas no mercado.

Dicas de carreira de Felipe

  • Gostar de estudar
  • Dominar Química e Matemática
  • Gostar de aventura