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Geofísica abriu caminho para outras mulheres

Liliana Diogo é da terceira turma do primeiro curso de graduação no País

por Udo Simons
foto por Ailton de Oliveira

Quando perguntada por leigos sobre sua profissão, Liliana Diogo responde: “Eu estudo o que está do chão para baixo, para o centro da Terra. O que não conseguimos ver.” Dessa forma simples, essa paulistana fala que é geofísica – uma pioneira nesse setor de trabalho no Brasil. Formada em 1989, pela Universidade de São Paulo (USP), ela fez parte da terceira turma do primeiro curso de graduação de geofísica no País (criado em 1984 na USP). À época de sua conclusão universitária, ao seu lado, só havia mais uma moça. “De fato, éramos poucas, mas isso está mudando. Hoje, numa sala de aula, 40% são mulheres.”

De São Paulo, no começo da década de 1990, seguiu para sua pós-graduação na Universidade Federal da Bahia (UFBA), um dos centros de excelência desse setor no Brasil. “Fui estudar petróleo num convênio da UFBA com a Petrobras.” Naquele momento, passou direto para o doutorado e tinha a expectativa de conseguir, ao concluir sua pós-graduação, um emprego em campo. “Queria trabalhar na exploração de petróleo. Queria uma rotina profissional com viagens e um bom salário”, conta. Contudo, aquele momento não permitiu seus sonhos acontecerem. “Havia falta de trabalho para geofísico e o País vivia reflexos do governo Collor”, lembra.

Contra sua vontade, voltou a São Paulo e para a casa dos pais mas, logo em seguida, surgiu a oportunidade de fazer um concurso para ser docente na USP. Candidatou-se e passou. “A partir disso, optei pela academia.” Sua área de atuação é a geofísica aplicada, especificamente, métodos sísmicos. Há mais de 15 anos, faz estudos geológicos em subsuperfície com até 100 metros de profundidade, atividade chamada de sísmica rasa. Desde junho de 2014, é coordenadora do curso de bacharelado de geofísica (mandato de dois anos), no IAG – Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP.

Mais opções de empregos
Como ciência, a geofísica é relativamente nova no Brasil, apesar de o País ser um campo extremamente fecundo para desenvolver seus estudos, dada suas condições naturais, presença diversificada de minerais, rochas, entre outros elementos. Atualmente, há oito cursos de graduação no País. “O mercado de trabalho cresce. As opções de emprego são maiores, principalmente na exploração mineral.”

De forma resumida, a ciência estuda a estrutura e processos de movimento da Terra. Dominar matemática, física e química é fundamental. Saber de computação é relevante, pela presença diversa da tecnologia. “São variados os perfis dos geofísicos. Há os que trabalham melhor em campo, outros que se dedicam mais ao desenvolvimento de instrumentação ou de softwares para processamento e interpretação de dados.” Tudo isso para acompanhar os movimentos que impactam o solo, subsolo, atmosfera terrestres. “A geofísica me pareceu a opção ideal para me aproximar de um objeto de estudo tão interessante: nosso planeta”, diz a acadêmica.