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Gemóloga trabalha entre joias e desejos

Profissional especializado em gemas conhece de moda a geociências

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Engana-se quem acha que basta combinar um metal nobre e uma pedra preciosa para obter uma bela joia. É graças ao olhar do designer de joias que o desejo de um cliente torna-se realidade na forma de anéis, colares, pulseiras, broches e onde mais a imaginação chegar. Só que, para que isso ocorra, é necessário muito estudo e conhecimento em áreas como moda e geociências.

Foi dentro do curso de moda que a designer de joias e gemóloga Andressa Borotti, proprietária da Andressa E, apaixonou-se pela área de joalheria. Determinada a entrar nesse mercado e empolgada pelo bom resultado de seu trabalho de conclusão de curso, que rendeu a ela uma das maiores notas da turma, a então recém-formada saiu do emprego de vendedora e usando o dinheiro do seguro desemprego investiu em aulas de especialização.

“Fiz dois cursos de ourivesaria e trabalhei por dois anos em alguns ateliês até decidir abrir minha própria marca”, conta a designer, que logo de cara passou a trabalhar com o mercado de noivas – um tipo de cliente que ela adora. “Logo de cara comecei a desenvolver brincos e arranjos de cabelo que combinem com os vestidos. Gosto de trabalhar com noivas, pois elas estão tão felizes com a realização desse sonho.”

Encomenda
Independentemente da encomenda, Andressa afirma que o processo de trabalho segue um mesmo padrão. “O cliente diz o que quer e em cima disso faço uma entrevista, sempre prestando atenção em detalhes como comprimento de pescoço, cor da pele e dos olhos para saber o que vai combinar com o pedido”, conta.

designer de joias e gemóloga Andressa Borotti, proprietária da Andressa E

Com base nessas informações ela produz três desenhos e submete à aprovação do cliente. Só aí, com material e pedras escolhidos, é que entra o trabalho de um ourives e o orçamento da peça é fechado. “Trabalho com profissionais de confiança e acompanho todo o desenvolvimento – algo que dura no mínimo 15 dias de serviço”, explica Andressa, que se responsabiliza pela compra do metal e das gemas, que precisam ter certificação.

Foi exatamente pelo alto grau de exigência que a empresária fez curso de gemologia na Alemanha por indicação de um professor. “Senti necessidade de buscar mais informação e poder certificar as pedras com que trabalho. Às vezes clientes pagam R$ 30 mil numa pedra – e ela precisa de um certificado”, diz ela, lamentando a falta de formações desse tipo no País.

“Os institutos que capacitam profissionais para esse tipo de laudo ficam nos Estados Unidos ou na Europa. E o mais vergonhoso para mim durante o curso foi descobrir que a maioria das pedras, acredite ou não, tem ocorrência no Brasil. Nossa riqueza de minerais é absurda, mas pecamos na formação”, comenta Andressa, que, após receber o diploma, passou a buscar seu material em minas de exploração.

Garimpeiros
“Comecei no ano passado a procurar por pedras direto com os garimpeiros. Para tanto, troco o estilo de roupa e adoto outro jeito de falar, diferente do usado com os clientes, para que eles me reconheçam como um igual”, explica a designer, que busca pedras diferentes e em estado natural, sem nenhum tratamento.

Para os indecisos que ainda não sabem qual profissão seguir, Andressa alerta principalmente para os cuidados com a formação. “Não basta gostar de joias. É preciso se formar e sempre buscar por especializações. Recebo peças quebradas feitas por outros designers a todo momento. Tem muita gente ruim no mercado e se você quiser formar uma clientela precisa conquistar a confiança deles.”