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Um brinde ao enólogo, o profissional do vinho

Regulamentada no Brasil desde 2007, a profissão aos poucos conquista adeptos

por Marcus Lopes

Ao saborear uma taça de vinho, nunca se esqueça de levantar um brinde à pessoa que tornou possível o momento prazeroso da degustação da bebida: o enólogo. Ele é o profissional responsável por todas as etapas de produção do vinho, desde a seleção das mudas para a plantação das uvas da vinícola até o momento de colocar o produto no mercado.

Regulamentada no Brasil desde 2007, a profissão conquista adeptos, mas ainda são poucos os cursos superiores específicos na área. O único bacharelado em enologia é oferecido pela Universidade Federal do Pampa, no Rio Grande do Sul.

Outras faculdades oferecem cursos técnicos, especializações ou pós-graduações em viticultura e enologia. Grande parte dos cursos está localizada em regiões produtoras, como Bento Gonçalves (RS) e São Roque (SP).

O dia a dia da atividade vai muito além do charme que envolve a profissão. O enólogo atua diretamente nas vinícolas e administra a análise do solo, seleciona os tipos de uvas apropriados e determina o plantio, a poda das parreiras e a colheita. Feita a colheita, seleciona a mistura das uvas e coordena toda a produção e o amadurecimento do vinho, com o objetivo de conseguir uma bebida com a melhor qualidade possível.

Bento Gonçalves
“É uma série de desafios no cotidiano. A elaboração de vinhos lida com muitas variáveis, desde a climática até a técnica”, explica o enólogo Juliano Carraro, de 33 anos. Representante da quinta geração de produtores de uvas no Rio Grande do Sul, atualmente ele é responsável pela área comercial da vinícola da família, a Lídio Carraro, em Bento Gonçalves.

enólogo Juliano Carraro

O bom enólogo tem de ter todos os sentidos muito apurados, em especial o olfato e o paladar. “Na degustação (nos parreirais) ele detecta a qualidade e a maturação da uva”, cita. A rotina é dura, principalmente na época da colheita das uvas, que vai de janeiro a março. Nos outros meses, o trabalho é na produção do vinho.

Segundo Carraro, a profissão está em ascensão no Brasil e o mercado de trabalho é amplo, principalmente para aqueles que se dedicam a todas as etapas de produção. “Há carência de profissionais com bom conhecimento técnico”, diz Carraro, que estudou enologia em Bento Gonçalves. “Mas o enólogo não deve se restringir apenas à área técnica de elaboração de vinhos. É importante ter uma visão comercial do produto”, completa.

Sommelier e enófilo
É necessário não confundir enólogo e sommelier, que são atividades distintas. “O sommelier é o profissional que trabalha com o vinho depois que ele está pronto para o consumo. Ele vai indicar, por exemplo, o vinho correto para determinado paladar em uma refeição”, explica Carraro.

Já o enófilo é o apreciador e amante da bebida, aquele que se dedica profissionalmente ou por prazer ao estudo do mundo dos vinhos . Segundo a Associação Brasileira de Enologia (ABE), a diferença para o enólogo é que o enófilo é apenas um apreciador e não pode elaborar vinhos.