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O importante para o chef é não ter medo de misturar ingredientes!

Por Lucia Helena Corrêa
Foto de Rogério Montenegro

Até os 20 anos, a “filhinha da mamãe” não entrava na cozinha, incapaz até mesmo de ferver água. “Minha avó, cozinheira, e minha mãe, arrumadeira, ambas em casa de família, muito mal reconhecidas, queriam que eu estudasse para trabalhar em um escritório bem longe das panelas”, conta a paulistana Rosely Nascimento.

Tentar ela bem que tentou – um curso de Contabilidade, que abandonou na metade, ao mesmo tempo em que, por conta própria, estudava Psicologia, “curiosa, que sempre foi e ainda é, pela alma humana”. Mas não se encontrou. Nem nos números, nem no caminho para a terapia dos sentimentos.

“Encontrar-me, profissionalmente, só mesmo quando, no segundo casamento, depois do segundo filho, comecei a planejar as festinhas de aniversário. Ali é que achei a minha vocação”

O começo, como sempre, no bairro humilde em que vive, na Zona Leste de São Paulo, não foi nada fácil. “Eu fornecia meus salgadinhos e doces aos vizinhos. Sem muitos recursos, as pessoas, em vez de fazer encomendas, queriam que eu revelasse o segredo das receitas!”.

De tanto insistir, Rosely vai ganhando a guerra, de batalha em batalha, um dia de cada vez. Apaixonada pelo que faz, é chef, formada em um curso livre da Vila Prudente, próximo do lugar onde mora. Mas também se orgulha de esbanjar talento como cozinheira, “aquela que põe a mão na massa, literalmente”. Artista dos salgadinhos e doces finíssimos, além de pães, doces e salgados, especialidade dela, Rosely fornece para restaurantes, clubes e até cantinas de centros de Umbanda, a religião dela.

Rosely ainda não teve dinheiro (e nem tempo o bastante) para bancar os cursos de especialização que precisa ter para compor, segundo ela própria define, o perfil formal de uma chef de cozinha: confeitaria e modelagem de Taça Americana, especialidade da carioca Ana Salinas, a cake designer cujas aulas ela pretende frequentar.

Enquanto não surge a oportunidade, contrária aos “exageros da alta cozinha, quanto à redução cada vez maior da quantidade de comida e dos efeitos pirotécnicos da apresentação dos pratos”, Rosely vai pesquisando novos sabores e receitas. De preferência, aqueles que valorizem os ingredientes e materiais genuinamente brasileiros, o paladar nacional: grãos, carnes, vegetais, frutas e temperos.

“Uma das coisas que gosto de experimentar são as receitas agridoces. Frutas com comida pode ser muito bom”, sugere a chef que tem como referência, “pela simplicidade sofisticada” o colega Daniel Atala, mestre das iguarias com castanha e abacate. O tempero da chef Rosely já lhe renderam participação, com enorme sucesso, em programas de televisão, uma delas na TV Brasil.

“Cozinhar é uma das coisas mais mágicas desta vida. A coisa mais perto da alquimia, que sempre me fascinou. Descobrir materiais e ingredientes, misturas e sabores é sensacional”


Dicas de carreira da Rosely

  • Estude e pesquise continuamente;
  • Não tenha medo de misturar ingredientes, de fazer testes, experimentar;
  • Comida não pode ser apenas gostosa. Tem que ser bem apresentada. Bonita de se ver. Afinal, come-se primeiro com os olhos;
  • Mas não economize na quantidade, a bem de um glamour discutível. O ideal é que o comensal saia da mesa satisfeito;
  • Finalmente, não exagere nos efeitos pirotécnicos, que, no final, podem comprometer o paladar.