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De norte a sul: os sabores desta Copa

por Guss de Lucca
fotos: arquivo pessoal

Ir ao estádio para assistir a uma partida de futebol só é um programa completo se regado a comida. O que, num país continental como o Brasil, não se resume a um ou dois sabores. A pátria das chuteiras é composta por diferentes aromas – tudo depende do lugar onde acontece o espetáculo.

Faltando apenas uma semana para a Copa do Mundo, turistas de dentro e de fora do país poderão provar os quitutes característicos de cada uma das cidades-sede. Mas nem em todos os casos essa experiência gastronômica veio fácil. Na Arena Fonte Nova, em Salvador, as baianas do acarajé tiveram que lutar para conquistar seu espaço.

Depois de muito protesto, o grupo liderado por Rita Santos, da ABAM (Associação das Baianas de Acarajé), conseguiu convencer a FIFA a liberar um local no estádio para a comercialização da iguaria baiana durante a Copa das Confederações – experiência que vai se repetir durante o Mundial.

Workshop do acarajé
“Fizemos um workshop de dois dias no Senac e acabamos de entregar a documentação na vigilância sanitária. Agora só falta o processo de análise das condições da água e pronto”, contou Rita (foto abaixo), explicando que o grupo autorizado conta com 20 pessoas – seis baianas e seus assistentes.

Baiana do Acarajé Rita Santos

 

De acordo com ela, durante os jogos da Copa das Confederações cada baiana vendeu em média 100 acarajés, além de cocadas, bolinhos de estudante, passarinhas e queijadas – um número que ela quer ver aumentar durante o Mundial. “Teremos seis jogos em Salvador – no campeonato anterior foram apenas três. E agora esperamos que mais pessoas possam circular pela área das barracas, pois antes só quem tinha ingresso para o jogo podia passar por lá.”

Durante o evento o acarajé, quitute afro-brasileiro feito a partir da massa do feijão-fradinho temperado com cebola, sal e posteriormente frito no característico azeite de dendê, testará sua popularidade com holandeses, alemães, iranianos e franceses ao preço de R$ 8 a unidade.

Questionada sobre a receptividade dos estrangeiros em relação aos fortes temperos da culinária soteropolitano, Rita usa a experiência para afirmar que nenhum resiste ao sabor do acarajé. “Sempre que passam por aqui eles comem. Já fiz três entrevistas com jornalistas alemães e todos gostaram. Cada um pede a quantidade de pimenta que aguenta”.

Biscoito de polvilho no Rio
Além dos acarajés, muitas outras guloseimas regionais esperam pelos turistas na Copa do Brasil. No Maracanã, no Rio de Janeiro, os torcedores poderão provar o biscoito de polvilho, patrimônio cultural e imaterial da cidade, por R$ 5, enquanto os visitantes da Arena Pernambuco, do Recife, experimentarão o famoso bolo de rolo da cidade – também por R$ 5 a unidade.

Já na Arena da Amazônia, em Manaus, a torcida vai testar o Tambaqui de Pé, uma versão local do tradicional fish n’ chips britânico, que será vendido em porções a R$ 13. E no Mineirão, em Belo Horizonte, a unanimidade fica com o “tropeirão”, versão futebolística do feijão tropeiro, que sairá por R$ 15. Um mundial que promete agradar a todos.