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Sid: de atendente a dono de restaurante

Por Udo Simons

Todos os dias, de manhã e à tarde, Sidnei Carlos de Maman (Sid, como é mais conhecido), 37 anos, trabalha como garçom e caixa no Alfa Restaurante, uma pequena casa de rodízio na região central de São Paulo. Ele limpa as mesas, faz sucos, corta carnes, tira pedidos com fornecedores, faz as vezes de atendente. Nas noites das quinta, sexta e sábado, também trabalha como gerente de um restaurante no Mandaqui, bairro na zona Norte de São Paulo.

Difícil é dizer o que ele não faz nesse setor de alimentação. Mais especificamente, em restaurantes. É neste segmento que, desde os 17 anos, Sid ganha sua vida. “Educo minhas filhas e planejo meu futuro trabalhando com alimentação”, conta.

Nascido em uma família de agricultores e acostumado ao verde de Romelândia (SC), nunca tinha “saído do mato”. Em 1993, Sid veio para a capital paulista em busca de trabalho. Foi a primeira vez que pisou numa cidade grande. “O olho ardia muito. Era a poluição. Nos primeiros dias a irritação era tanta que tinha vontade de chorar o tempo todo.” Veio trazido pelo irmão para trabalhar na lanchonete do cunhado. Sua primeira moradia em São Paulo foi um quartinho nos fundos do estabelecimento.

“Meu primeiro emprego foi de atendente”. De lá para cá, não parou mais de atuar neste segmento. Tem acumulado tantas funções nas últimas duas décadas que é até difícil dizer qual é a sua profissão exata. “Tenho muita disposição para o trabalho. De tudo faço um pouco”, enfatiza.

Toda essa disposição e as circunstâncias fizeram com que ele aprendesse na prática o ofício do bem servir à mesa. Percalços aconteceram no caminho, como o “banho” de caipirinha que deu em uma cliente. “Era uma das primeiras vezes que fazia a bebida. Quando peguei a coqueteleira para balançar, ela se abriu e a cliente ficou toda molhada.” Hoje, ele lembra do episódio como fato divertido, mas no dia ficou “nervoso”, apesar de a cliente ter entendido que fora um “acidente”. Lembra, também, a primeira mesa que serviu na sua vida. “Era um pedido com cinco chopps. Mal conseguia segurar a bandeja.”

Seu caminho profissional o fez progredir, como se vê pelo fato de ser um dos donos do Alfa. Apesar de formalmente ele ser o proprietário do local, quem chega por lá facilmente o confunde como mais um dos sete funcionários. Aliás, sua esposa, Lair, também é uma de suas colegas de trabalho. Eles se conheceram em um restaurante: ele, garçom; ela, cliente. “Estamos aqui há quatro anos. O começo foi muito difícil, mas agora já sentimos retorno para nossa dedicação”, afirma.

Sid: de atendente a dono de restaurante

“Meu primeiro emprego foi de balconista”, lembra Sid, hoje sócio-proprietário de um restaurante em São Paulo

Para exemplificar esse retorno, Sid lembra do primeiro mês de funcionamento da churrascaria, quando tudo era incerto. Ele não sabia se teria dinheiro para pagar o aluguel, mas arriscou. Algum tempo e muita dedicação depois, conseguiu não apenas honrar o pagamento, como o fez com um dia de antecedência. Isso é motivo de orgulho para o catarinense.

Também é motivo de orgulho o fato de ter evoluído em sua carreira começando como atendente e, logo em seguida, garçom. “Não deixo essa condição de lado”, ressalta. Por isso, para ele, não há restrição em fazer o que for necessário no trabalho, seja para outro empregador ou para o próprio negócio. Para Sid, quem quiser atuar na área não pode fazer corpo mole. “Quem se esforça pode tirar mais de R$ 3 mil por mês”, diz.

Dicas de carreira de Sid

  • Empenho
  • Superar a timidez
  • Atenção para com o público

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