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Intérprete de libras: mãos que falam e interpretam

Atividade requer especialização e um aprendizado contínuo

por Heloisa Valente
foto por Rogerio Montenegro

Até pouco tempo, trabalhar com a língua de sinais era uma atividade basicamente ligada a quem tem na família ou no ciclo de amizades uma pessoa com deficiência auditiva. Mas essa realidade tem mudado ao longo dos últimos anos, principalmente a partir de 2005, quando entrou em vigor o decreto nº 5626 que insere a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia no Brasil.

A atividade, no entanto, ainda não dispõe de formação inicial (graduação) em todas as universidades. Assim, o caminho para quem quer atuar na área é partir para cursos específicos ou pós-graduação. “A Universidade Federal de Santa Catarina é a primeira do País a ter graduação em Letras-Libras Língua de Sinais Brasileira, mas é algo ainda restrito”, explica Vânia Santiago, intérprete de Libras, professora e consultora na área.

Amadorismo no setor
“Hoje a formação profissional se dá em cursos de pós-graduação na área de tradução/interpretação e não na graduação, o que seria o ideal. É uma atividade que requer especialização e um aprendizado contínuo”, afirma. Vânia ressalta que existe muito amadorismo no setor, o que compromete a comunicação eficaz com a comunidade surda e uma prestação de serviço de qualidade.

Um exemplo mundial desse problema foi visto no funeral do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, no ano passado, quando um intérprete de Libras esteve ao lado de líderes de governo interpretando discursos sem o menor preparo. “Infelizmente isso não é raro acontecer. Temos visto muitas empresas contratando pessoas despreparadas para a função até para atuar nas semanas de segurança das companhias. Um perigo, já que as informações acabam não sendo transmitidas claramente, o que pode comprometer a meta de acidente zero no trabalho, principalmente nas indústrias”, destaca.

Vânia Santiago, intérprete de LibrasMercado e remuneração
Vânia conta que a profissão foi regulamentada em 2010 pela Lei Federal 12.319, e que o mercado de trabalho para o intérprete de Libras é amplo no Brasil, em especial na cidade de São Paulo e região metropolitana, formado principalmente por três campos de atuação: interpretação educacional, interpretação comunitária e de conferências.

“Muito comum também são as empresas contratarem o profissional para treinamentos internos e até para treinar colaboradores com a finalidade de facilitar e melhorar a comunicação com funcionários surdos”, conta.

“É um trabalho que exige preparo físico e mental. Em um congresso, por exemplo, sempre há necessidade de dois profissionais para a interpretação, com revezamento de 20 e 20 minutos. Isso porque não são somente as mãos que falam, mas existe uma expressão corporal específica da língua”, explica.

Jornada de trabalho
O trabalho de um intérprete pode ser contratado de diversas formas: por hora, por diária, por contrato mensal, por evento etc. Vânia estima que os profissionais que atuam em escolas, por exemplo, com jornada de 30 horas semanais tenham salários variando entre R$ 1,5 mil a R$ 2,5 mil. Já a média por hora varia entre R$ 70 e R$ 80 (contratos por no mínimo duas horas), no caso de eventos nacionais. Em eventos internacionais ou atividades artísticas este valor é maior.

“Na contratação do serviço é sempre bom exigir o PROLIBRAS, certificação de proficiência concedida pelo MEC, que é semelhante a uma certificação de proficiência em línguas orais como o inglês”, diz a profissional.