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Já pensou em ser filósofo?

Marcia Tiburi fala das possibilidades da área de filosofia na atualidade

por Guss de Lucca

Não são muitas as formações que permitem ao profissional atuar em diferentes áreas e ainda assim fazer uso daquilo que foi estudado. No caso do filósofo, o céu é o limite quando o assunto é trabalho. Se no primeiro momento imagina-se a vida acadêmica como caminho certo, seja na escola ou na universidade, um olhar mais próximo revela que o conhecimento filosófico pode integrar uma infinidade de serviços.

“A filosofia é um trabalho intelectual em que você ensina as pessoas a dialogar entre si”, afirma a filósofa Marcia Tiburi. “Por isso, muitas empresas e ONGs acabam procurando a filosofia para orientar suas próprias ações”, completa ela, que divide seu tempo entre aulas, palestras e livros.

Para ela, a filosofia ainda não ganhou o espaço devido no Brasil, mas a procura de profissionais de outras áreas por essa formação vem crescendo nos últimos anos. “Numa sociedade como a nossa, com medo do pensamento, a profissão filósofo não tem o espaço que deveria ter. Mas acho que já cresceu muito se comparada a época da ditadura militar, onde era praticamente proibido pensar.”

Direito e medicina
“Tenho alunos formados em direito e medicina, por exemplo, que descobriram que sua formação não era suficiente para torná-los melhores profissionais. Por isso digo que todo mundo deveria ter pelo menos dois anos de filosofia a sério antes de optar por uma formação acadêmica”, defende Marcia, que encontrou na sala de aula o campo de atuação que mais lha dá prazer.

“Leciono há 20 anos na universidade e acho a sala de aula um paraíso. Acho que estar na sala de aula é uma experiência filosófica em si. É com nossos estudantes que conseguimos trocar as melhores ideias, expor questões interessantes, coisas que não fazemos em outros ambientes. Não é só um espaço profissional, mas de felicidade, um ambiente vivo”, ressalta.

Com um trabalho importante focado na ética, Marcia também atua como palestrante em empresas de diversos setores, sempre discutindo questões relativas a prática diária. “Se a gente não pensa nada sobre as coisas que faz acaba não sabendo o que está fazendo. Num mundo em que a ética está tão prejudicada como o nosso, as empresas que trabalham seus códigos de ética ou conduta chamam filósofos pra refletir sobre isso.”

Eruditismo vazio
Ela acredita que independentemente da área em que atue, o filósofo tem de ser crítico – algo em falta nos profissionais mais midiáticos. “Ele não pode ser um demagogo, não pode ser um retórico e não pode ser um defensor do eruditismo vazio. Tem de ser uma pessoa que, enfim, defende a busca do verdadeiro – sendo que essa busca precisa ser crítica. Vários desses caras que fazem sucesso por aqui não são filósofos em lugar nenhum do mundo”, alfineta ela.

Com tantas portas abertas, a filósofa aconselha aos interessados em fazer parte desse universo entrar com paixão e jogar-se sem medo de ser feliz. “Tem a questão do trabalho, que é árduo. Tem que ler muito, ter disciplina e não ser preguiçoso. Mas recompensa ‘pra’ caramba”, garante a ex-integrante do programa “Saia Justa”, do canal GNT, onde atuou por seis anos.

“É uma formação com campos de atuação variados. Muita gente leciona, outros estão em empresas, ONGs e existem aqueles que partiram para o empreendedorismo. A filosofia é um trabalho criativo e depende do empenho de cada um”, afirma.

*O Dia do Filósofo é comemorado em 16 de agosto.