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Farmácia: superdosagem de dedicação

Por Fernanda Bottoni

Ela sonhava em fazer Medicina, mas mudou de ideia no cursinho pré-vestibular. “Era um sonho de infância que eu abandonei quando me apaixonei pelo curso de Farmácia”, conta Fabiana Araujo Silva, de 38 anos, farmacêutica responsável da Healmed, empresa de comércio de produtos hospitalares.

Fabiana estudou na Faculdade Osvaldo Cruz e, assim que terminou a graduação, começou uma pós em Farmácia Hospitalar. Como precisava trabalhar, conseguiu um emprego de farmacêutica responsável numa drogaria pequena em Cajamar, cidade em que morava. “Era apenas meio período e fiquei dois anos trabalhando lá”, conta.

Sem experiência, sua estreia não foi das mais simples. Ela confessa que ficava completamente perdida atendendo os clientes. “Na faculdade, aprendíamos nomes químicos, substâncias e, quando você chega no balcão para trabalhar, existem milhares de nomes comerciais que eu sequer tinha ouvido falar”, lembra ela, rindo. “Agora eu rio mas, na época, foi bem complicado. Precisei muito da experiência e da paciência de funcionários antigos para ir aprendendo e me adequando.” Essa, aliás, foi uma das lições mais importantes que ela aprendeu: pedir ajuda não é um bicho de sete cabeças.

“Mesmo uma pessoa sem formação acadêmica pode me ensinar muito sobre a vida prática da profissão.”

Durante a pós, Fabiana chegou a estagiar na área, mas não enxergou muitas oportunidades. “É um mercado bastante restrito porque não são todos os hospitais que reconhecem a necessidade do farmacêutico — e por isso vemos muitos erros de medicação quando elas são controladas só por enfermeiros”, explica.

Então, da pequena drogaria do interior, Fabiana saltou para duas das maiores redes, Drogasil e Drogaria São Paulo. Há alguns anos, ela deixou o balcão das farmácias para trabalhar na distribuidora em que está até hoje. “Aqui o trabalho é mais tranquilo porque atender clientes, muitos doentes que estão saindo de hospitais, pode ser bastante estressante”, conta.

Para Fabiana, o conhecimento que o farmacêutico detém é algo muito especial. “Química, Biologia, Anatomia, Farmacologia são áreas interessantíssimas”, diz ela, entusiasmada. O lado não tão bacana é que a profissão ainda é pouco divulgada e, para muita gente, não existe diferença entre farmacêutico e balconista. “Isso desanima um pouco, mas as coisas já melhoraram muito desde que eu comecei.”

Dicas de carreira da Fabiana

  • Quem quer ser farmacêutico para trabalhar em drogaria precisa gostar do contato com o público, ter paciência, atenção e ser um bom líder, porque a maioria dos outros funcionários estará sob sua supervisão.
  • Vale a pena procurar estágio ou emprego na sua área logo que entrar na faculdade. Quanto antes você se inserir no mercado, mais fácil vai ser quando se formar.
  • O mercado de trabalho para o farmacêutico é enorme porque nenhuma farmácia ou drogaria pode ser aberta sem um farmacêutico estar presente.