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Disciplina diferencia escritor profissional do amador

Autor da trilogia "Dragões de Éter" fala sobre seu método de trabalho

por Guss de Lucca

Não por acaso um dos ofícios mais romanceados pelo público, o escritor é muitas vezes visto como um artista recluso sempre em busca de inspiração para escrever suas obras. Mas não é bem dessa forma que o autor Raphael Draccon, pseudônimo do carioca Rafael Albuquerque, define sua profissão.

“Tem o escritor amador e o escritor profissional. O amador é aquele que escreve por inspiração, só quando a vontade vem – e o faz por amor. O autor profissional, assim como um médico, trabalha todo dia durante um horário determinado e com metas de páginas diárias”, afirma o autor da trilogia best-seller “Dragões de Éter”, que costuma trabalhar em horários não muito ortodoxos, entre 23h e 5h  quando muita gente está dormindo.

À tarde, cuida de outros afazeres, como seus projetos como roteirista e palestrante, reuniões com editores e leitura de e-mails de leitores.

Bruce Lee
Formado em cinema, ele atribui a carreira como escritor a duas pessoas importantes na sua infância: o avô, que lhe contava histórias antes de dormir, e o astro Bruce Lee. “Tinha seis anos quando vi um filme dele pela primeira vez e foi quando prometi que seria como ele: escritor, faixa preta e cineasta. Levei vinte anos pra cumprir a promessa”, diz.

Além da disciplina, Draccon diferencia o autor profissional dos demais pela forma como esse conduz o desenvolvimento de um livro. “O escritor profissional não escreve a esmo, sem saber como a história acaba. Ele estrutura antes, sabe para onde a trama está indo. Muitos autores fazem a escaleta do livro, como se faz com um roteiro de cinema, e isso te dá controle de cada capítulo.”

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Para ele o maior desafio de um autor novato é saber receber um não – ou vários – e continuar insistindo na carreira. “O primeiro livro é um trabalho muito solitário e depois que você termina recebe respostas negativas de todas as editoras. Você recebe não o tempo inteiro nessa profissão”, ressalta o autor.

Mercado e oportunidades
Draccon acha que a internet contribuiu bastante para uma mudança no mercado editorial, com o público seguindo blogs literários que conversam diretamente com cada plateia. “O feedback dos leitores se tornou muito importante e o escritor virou um artista como qualquer outro. Ele tem que estar disposto a dar entrevistas e palestras, pois a concorrência aumentou.”

Além disso, a disputa por espaço nas livrarias também se tornou um novo desafio para os escritores. Como acontece com os filmes em cartaz nos cinemas, se um livro não vendeu nada naquela semana, ele sai da vista dos compradores, perdendo seu lugar de destaque.

A dica de Draccon para os novatos é buscar o seu diferencial diante de milhares de outros escritores que também estão em busca de um lugar ao sol. Isso, é claro, sem sujeitar-se a modismos quer conflitem com os interesses de cada autor.

“Tentar entrar numa temática que está dando certo, mas sem acreditar naquilo, é um grande erro. Surgem escritores que querem fazer livros sobre um assunto da moda, como vampiros, por exemplo, mas que não curtem vampiros – e isso pesa. É preciso ser apaixonado pelo que escreve e tratar essa paixão como uma profissão, com estudo e disciplina”, ensina ele.

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