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A história do engenheiro que virou água

Brasileiro cria equipamento que produz água potável de qualquer lugar

por Fernando Porto

Os inventores têm um dom natural, mas sua inventividade não desperta de um dia para outro. É o caso do engenheiro Pedro Ricardo, que sempre foi um apaixonado por eletrônica desde criança. Ele desenvolveu suas habilidades em oportunidades de trabalho que teve durante a juventude: como técnico de calculadoras na Sharp, em Brasília, aos 13 anos, e de microcomputadores nas extintas fabricantes Prológica e Microtec – ainda na adolescência. “Aos 17 anos, saí do Brasil e me formei em engenharia eletrônica em Madri (Espanha), em mecânica em Torino (Itália), e fiz pós em mecatrônica  em Lyon (França)”, conta.

Voltou depois ao Brasil e trabalhou até os 38 anos na empresa Siemens Medical como desenvolvedor de produtos para área de saúde. Foi então que seu gênio criativo usou a experiência acumulada para tirar do papel um equipamento extremamente importante em tempos de seca até nas grandes cidades: a máquina que faz água do ar.

Essa tão desejada invenção se diferencia de outros equipamentos por produzir água potável “ultrapura” de qualquer lugar. “Os equipamentos condensam o ar ambiente, convertendo-o em água, que posteriormente é filtrada por sistemas nanotubos. Depois, esterilizada por sistemas de luz ultravioleta e, finalmente, são adicionados sais minerais de forma controlada e a água é gerenciada por sensores computadorizados que a analisam 60 vezes por segundo.” diz ele. Segundo estimativa do engenheiro mecatrônico, o equipamento, para produção em grande escala, deverá custar entre R$ 5 mil – portátil de mesa para produção de 15 litros/dia de água (portátil de mesa) – e R$ 7,5 mil – de 30 litros/dia.

engenheiro Pedro Ricardo

Ricardo já possui proteção legal do projeto pela Associação Nacional dos Inventores (ANI), além de estudos de seu funcionamento. Agora procura por empresas e parceiros que queiram investir na ideia e disponibilizá-la em escala no mercado. “Muitos inventos surgem para revolucionar o mundo. Este é um desses”, elogia Carlos Mazzei, presidente da ANI.

Emirados Árabes Unidos
O equipamento vem sendo utilizado desde 2010 em várias repartições públicas, para fins de demonstração e eventuais análises, como em gabinetes de governadores, no Palácio do Planalto, na Câmara dos Deputados, no Senado Federal, e em alguns países dos Emirados Árabes Unidos.

“Atualmente estamos trabalhando no projeto de implantação da unidade de produção de grande volume (15 milhões de litros/dia) nos Emirados Árabes, que vai substituir futuramente as usinas de dessalinização – que têm um grande impacto ambiental”, explica o inventor. Pedro Ricardo diz que a mesma solução ainda pode ajudar a resolver o problema da seca de São Paulo. “É a última tecnologia para esse fim e propomos nosso projeto piloto. O problema é que, no Brasil, os interesses políticos e financeiros se sobrepõem à razão”, lamenta.

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