Home > Carreiras > Engenharia Eletrônica > Engenheiro eletrônico inova a poupar água

Engenheiro eletrônico inova a poupar água

João Barassal Neto criou a EcoHHouse, onde gera até energia smart grid

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

A crise hídrica e energética fez com que a população brasileira entendesse que sua relação com a água precisava mudar. Banhos demorados, lavagem de calçadas com mangueira e escovação de dentes com a torneia aberta são alguns dos maus hábitos de pessoas que até então não imaginavam lidar com um recurso finito. Mas nem todos pensavam assim.

O engenheiro eletrônico João Barassal Neto, criador a EcoHHouse, imóvel localizado na cidade de São Paulo, afirma que o projeto surgiu de um comentário feito pelo filho em 2010. O menino perguntou ao pai se não poderiam montar uma casa ecológica, empolgado com o que havia aprendido sobre reciclagem na escola.

“Antevemos que essa crise de água e energia viria, então focamos na necessidade de água de reuso. Logo no início já enterrei a cisterna dentro da casa e usei a água da chuva na obra”, conta ele, que também apostou na geração de energia eólica, responsável por abastecer o sistemas de baterias que garante à casa autonomia de oito horas em casa de apagão.

Energia smart grid
Como é homologado pela Eletropaulo, ele começou a gerar energia smart grid (sincronizada com a concessionária), vendendo o que sobra para ela, num regime de troca.

No caso específico da água, o engenheiro explica que após a captação pelo telhado, ela é encaminhada a uma estação de tratamento que o permite utilizá-la em atividades como a rega das plantas e a limpeza do imóvel. Mesmo assim, ele trabalha atualmente em uma forma de torna-la própria para o consumo humano.

engenheiro eletrônico João Barassal Neto criador a EcoHHouse em SP

“Nós temos água para dez dias – um total de 8.500 litros. Agora estou recebendo um novo filtro , que vai me permitir tornar essa água potável, pois até o momento ela é apenas para reuso”, comenta o engenheiro, que já vem implantando o novo sistema em novos edifícios. “Temos vários casos bem sucedidos de transformação de água da chuva em água potável.”

Custo-benefício
Apesar de alto o custo traz benefícios que compensam o investimento, diz ele. “Hoje um sistema desses sai em média por R$ 25 mil. Mas ele se paga em alguns meses, pois além do conforto e da segurança de ter água no caso de um rodízio, o edifício terá desconto da Sabesp por usar a água que está produzindo”, garante.

De acordo com Neto, o erro que vem sendo cometido por parte da população é acreditar que basta captar a chuva e sair usando a água. “A água da chuva é nociva, tem bactérias, e por isso precisa ser tratada. Se for guardada de qualquer maneira, sem ser clorada, acaba virando o ambiente ideal para o mosquito da dengue”, alerta ele.

*Quer dicas de carreira ou está em dúvida sobre qual profissão seguir? Confira mais posts de engenharia (e outras profissões também) aqui.