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Trabalho do engenheiro de meio ambiente ganha relevância

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

O trabalho do engenheiro de meio ambiente nunca foi tão popular e urgente como nos últimos tempos. Mudanças climáticas e o descaso de pessoas, governos e empresas diante de questões ambientais fizeram com que esse campo específico da engenharia se popularizasse e recebesse a relevância necessária.

Foi a preocupação com problemas decorrentes da poluição e de desastres ecológicos que estimularam o engenheiro André Vizioli a voltar seus estudos para a área ambiental. Há seis anos atuando no mercado, ele acredita na necessidade de se monitorar esses fenômenos para encontrar soluções que evitem acontecimentos como a crise hídrica enfrentada atualmente na região Sudeste do País.

“É uma profissão multidisciplinar, com vários focos de atuação, entre eles o gerenciamento de condições ambientais, que é o meu caso. E dentro disso você pode trabalhar com um leque diversificado de áreas, como a de poluentes atmosféricos e de saneamento básico”, explica ele, que há três anos cuida de projetos de água e esgoto na consultoria ambiental Geasanevita.

Passivos ambientais
“No começo da carreira tive experiência com gerenciamento de passivos ambientais, que consiste na identificação e detalhamento da área contaminada e sua remediação, descontaminação. Depois fui trabalhar diretamente com saneamento ambiental, onde atuo hoje em dia”, completa Vizioli, cujo cotidiano alterna entre avaliações em campo e trabalho no escritório.

engenheiro de meio ambiente em SP André Vizioli

Diferentemente do que alguns imaginam, não é comum ao engenheiro entrar no esgoto, mas sim compreender seu funcionamento para poder melhorar seus processos. É aí que entra a multidisciplinaridade da profissão, que acaba se misturando com outros campos.

“É um trabalho intrínseco ao da construção civil”, salienta ele, sempre deixando claro que, no seu caso, o serviço está ligado à questão urbanística da área analisada.

Questionado sobre o mercado de engenharia ambiental, André acredita haver uma deficiência enorme no que diz respeito ao campo do saneamento. “Se no estado de São Paulo, que está bem avançado, falta gente, imagino que no resto do Brasil deve haver um déficit muito grande de profissionais especializados nessa questão.”

Por conta disso, a tão buscada valorização está em alta. Porém, o engenheiro lamenta que isso só ocorra em momentos de urgência. “A crise de água em São Paulo mostra bem como a valorização da profissão é sazonal. Quando o problema some o engenheiro de meio ambiente passa a ser tratado como algo secundário.”

Aos interessados em suprir essa demanda, ele aconselha: além da formação técnica, aprenda inglês e até alemão, pois muitos contratos usam normas comuns nesses idiomas. “Infelizmente o tratamento das questões ambientais com seriedade não é cultural do brasileiro. Por isso é preciso ter dedicação para vencer os obstáculos”, afirma.

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