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Existem profissionais especializados em TPM, sabia?

por Udo Simons

Em 2004, Gustavo Fagundes Tonielo era um jovem tímido, reservado, que recém se formara em Engenharia de Automação e iniciava sua carreira profissional. Hoje, 10 anos depois, aos 35 anos, ainda é possível perceber certa timidez, recato, no seu modo de falar, mas aquele jovem tímido ficou para trás. É parte de seu passado.

“Era tímido, sim, mas não cabe mais isso”, fala enfaticamente com a satisfação de quem superou um comportamento social muito comum entre engenheiros e profissionais da área técnica. “As universidades de engenharia nos capacitam conceitualmente, mas não nos preparam para lidar com pessoas”, avalia.

A resposta para a modificação de seu comportamento reside em três letras: TPM. Não, nesse caso a sigla não remete ao entendimento comum do brasileiro sobre essa expressão – Tensão Pré-Menstrual. Gustavo não tem surtos de TPM, no sentido mais literal da palavra. Não poderia, inclusive. Aqui, TPM é abreviatura da língua inglesa para Total Productive Maintenance (Manutenção Produtiva Total), expressão essa cada vez mais difundida no mercado de trabalho nacional. Principalmente, nos setores industriais do país.

Mas afinal o que é TPM?
“É um sistema de produção utilizado para potencializar o desempenho das empresas e a capacidade profissional das pessoas”, resume Gustavo, após longa e detalhada explicação sobre os benefícios que esse sistema traz para quem está envolvido nele.

De “ferramenta poderosa para transformação de pessoas” a “ponte entre os departamentos de produção e manutenção”, Gustavo enfatiza que a TPM é uma solução extremamente adequada à forma contemporânea dos negócios, afinal as empresas precisam, cada vez mais, se manter competitivas em seus segmentos de atuação.

“E TPM pode ser aplicado tanto na parte administrativa quanto na de produção. É vasto seu campo de alcance.” Ele fala isso com a experiência de quem trabalha há uma década com essa ferramenta em multinacional do setor de autopeças.

Desenvolvido no Japão, a partir da década de 1970, a Total Productive Maintenance começou a ser elaborado no início dos anos de 1950, após a Segunda Guerra Mundial, com a chegada de processos de produção e segurança dos Estados Unidos às empresas japonesas.

Uma rápida busca pela internet conduz o interessado sobre o tema ao JIPM (Instituto Japonês de Manutenção de Planta), entidade que registrou a sigla e, consequentemente, tornou-se referência mundial nessa prática de gestão que visa eliminar perdas de produtividade, reduzir paradas de máquinas, garantir qualidade na produção das empresas a fim de aprimorar os ganhos e processos de qualidade e gestão. Em resumo, é um sistema de gestão para tornar mais eficiente a produção das empresas. Com isso, aumentar os lucros do negócio.

Uma filosofia integrativa
O Engenheiro de Manutenção da Bosch no Brasil, Marcelo Laranjeira, 44 anos, há 16 envolvido com TPM, fala desse sistema de gestão como uma filosofia integrativa. “Ele foca o cuidado com as pessoas. Capacita profissionais. Faz o ser humano crescer.” Soma-se a essa descrição, o fato dele ser um “modelo preventivo para executar tarefas”, acrescenta.

De maneira bastante resumida, para ilustrar a compreensão da aplicação do TPM no cotidiano profissional, visualize uma máquina em funcionamento, por exemplo, fabricando chocolates. Subitamente, há uma trepidação rápida, que passa a ser frequente com o tempo. Um operário desatento não dá importância a essa condição, a esse “comportamento” da máquina, que pode acarretar na perda de um parafuso, ou outro elemento de fixação qualquer de sua estrutura, ocasionando, a partir disso, a parada em seu funcionamento, consequentemente, a produção do chocolate.

Ora, se não há produção, não há produto para ser vendido, obviamente. Portanto, adeus aos rendimentos, quiçá lucros. TPM entra para evitar essa interrupção na linha de produção. Para garantir o completo envolvimento de todos com a operação do maquinário das indústrias. Para que eles possam comunicar, preventivamente, alterações; ou relatar possibilidade de quebra no material de trabalho.

“O TPM desenvolve a atenção integral dos operários na execução de suas tarefas. Faz surgir um comportamento profissional proativo”, ressalta Marcelo. Nesse sentido, o operário sente-se valorizado, pois ele vai ser ouvido por sua chefia. “Desenvolve-se um processo de reconhecimento e autorrealização.”

Eficiência + experiência
Envolvido nesse setor desde 1995, ou seja, há 19 anos, o consultor em TPM, Haroldo Ribeiro, enfatiza a necessidade de maturidade para se trabalhar com TPM. “Experiência é vital. Não basta apenas dominar algumas técnicas e conceitos.”

Haroldo Ribeiro Como nos processos de TPM a gestão de pessoas, liderança e coordenação de grupos são regras para sua aplicação a melhor condução dos resultados da implementação do TPM vai surgir com pessoas mais maduras à frente dos trabalhos. “Isso não significa que um jovem não possa implementar TPM. Mas como profissional, seu trabalho ganha mais eficiência com o tempo, com a experiência adquirida ao longo dos anos de trabalho.”

Além da idade, algumas outras características como organização, boa capacidade de comunicação, dedicação, interesse por estudos são desejáveis para quem quer trabalhar com TPM. “Hoje, vale a pena investir numa formação nessa área. Há necessidade no mercado por profissionais. Cada vez mais, o mercado demanda por esse conhecimento”, reflete Haroldo. A esse conjunto de características, acrescentem-se, ainda, cursos de formação.

Há institutos que oferecem a certificação nessa prática. É preciso não deixar de lado o domínio do inglês. Grandes autores sobre o tema, e boa parte do material para estudos, está na língua do Bardo. O esforço, contudo, é recompensado do ponto de vista salarial. Para quem tem mais de cinco anos de experiência com vivência, aplicação e coordenação de TPM, nas empresas, há vagas de empregos a partir de R$ 12 mil.