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Engenharia: carreira em fase de ebulição no País

por Marcus Lopes
fotos: Ailton de Oliveira/arquivo pessoal

Aquecimento do mercado imobiliário, ventos favoráveis na macroeconomia, grandes obras de infraestrutura e novas descobertas na área petrolífera contribuíram para o aquecimento da carreira de engenharia, que passa por uma verdadeira ebulição em todo o País. De acordo com o site norte-americano “The Engineering Daily”, atualmente o Brasil é o sétimo melhor lugar para se trabalhar como engenheiro.

A primeira posição é ocupada pela Alemanha, seguida por Estados Unidos e China. Segundo a publicação, além do crescimento da exploração de petróleo e dos grandes eventos esportivos, a ascensão do Brasil como sétima economia do mundo contribuiu para o crescimento da engenharia.

De acordo com os especialistas, as melhores oportunidades são oferecidas nas áreas de engenharia civil, elétrica, eletrônica e de materiais. Além da facilidade para obtenção de crédito imobiliário, que estimulou as construtoras a construírem novos empreendimentos, obras ligadas aos grandes eventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíadas – também ajudam a ampliar o quadro de vagas e a busca por bons profissionais.

Mercado aquecidoop
“O mercado de trabalho para engenheiros está muito aquecido. A eficiência e a competitividade obrigam as empresas contratarem, cada vez mais, profissionais ligados às áreas tecnológicas, principalmente os formados em engenharia”, diz a diretora do curso de Engenharia da Universidade Mackenzie, Leila Figueiredo de Miranda (ao lado). Segundo Leila, o mercado está tão aquecido que faltam profissionais para ocuparem as vagas. “Recebemos diariamente na universidade muitas solicitações de empresas para estagiários e recém-formados”, diz a professora.

Apesar da carreira em expansão, há muitas dificuldades a serem vencidas pelos profissionais de engenharia. Uma delas é a carência de mão de obra especializada, principalmente de nível médio. “Um dos maiores problemas é a escassez de mão de obra qualificada. Faltam profissionais de nível médio que podem fazer com que o bom trabalho seja executado”, diz o coordenador de engenharias da Anhanguera Educacional, Joaquim Ribeiro.

“Por exemplo, um engenheiro mecânico que assume uma área de processos muitas vezes não encontra bons técnicos capazes de elaborar procedimentos e/ou desenvolver ferramentas que melhorem a qualidade e a produtividade”, completa Ribeiro (foto abaixo).

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Instabilidade econômica
Para o presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs), Luiz Gravina Pladevall, a instabilidade econômica é outro problema enfrentado na profissão. “A instabilidade nos investimentos, tanto nos setores público como no privado, inibe as empresas e dificulta um planejamento de longo prazo. Por sua vez, isso dificulta um plano de carreira para os engenheiros contratados, o que poderia oferecer maior segurança e oportunidade no trabalho”, diz Pladevall.

Apesar dos problemas, o cenário para o futuro é otimista e a engenharia deve continuar em destaque nos próximos anos. De acordo com os especialistas, temas relacionados à melhoria da mobilidade urbana nas grandes cidades e projetos em sintonia com a preservação do meio ambiente devem garantir boas oportunidades de trabalho para os engenheiros. O setor habitacional, inclusive o popular, também deve continuar com fôlego.

Boas oportunidades também devem surgir na área de mecatrônica e informática. “O crescimento deverá ser resultado da procura das empresas em automatizar suas linhas de produção”, prevê Pladevall, da Apecs.

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Engenheiro de energia
A área de energia também deve estar no radar dos engenheiros para os próximos anos. “Deve surgir o engenheiro de energia, que deverá estar preparado para lidar com todas as formas de energia, sejam elas renováveis – hídrica, eólica e sola – ou não renováveis, que são os derivados de petróleo, carvão e material radiativo”, explica Leila Figueiredo, do Mackenzie.

Mesmo que o mercado continue aquecido, o profissional deve estar atento com o aprendizado contínuo para conquistar as melhores oportunidades e não ficar desempregado.  “O profissional deve fazer a gestão da sua carreira para garantir, a longo prazo, sua participação no mercado de trabalho. Apenas a simples formação não é suficiente para ele garantir a sua permanência nesse mercado, é preciso ficar atento à sua carreira”, diz o presidente da Apecs, destacando a importância de cursos extracurriculares e a fluência em, pelo menos, duas línguas.

Investimentos em infraestrutura
Para o vice-presidente de Relações Externas do Instituto de Engenharia (IE), Jorge Pinheiro Jobim, o bom momento da engenharia também é provocado pelo incremento de concessões em rodovias, aeroportos e, mais recentemente, em portos. “Nesta fase de retomada de investimentos em infraestrutura a demanda por engenheiros civis tornou-se crítica, principalmente pelo fato de ter sido uma especialidade com reduzida atratividade na formação de profissionais no último decênio, em face da fraca oferta de empregos com salários atraentes no campo da engenharia civil”, explica Jobim.

Segundo ele, a formação dos novos profissionais deve levar em consideração não apenas a formação técnica, mas gerencial.  “A maior dificuldade para o engenheiro reside no fato de que nossas universidades concentram-se nas matérias de formação essencialmente técnica, esquecendo que o profissional precisa, para crescer e atingir postos de direção, de uma formação voltada para a administração do negócio ou do empreendimento”, explica o vice-presidente do Instituto de Engenharia.