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O comprometimento do instrumentador cirúrgico

Relacionamento e compromisso são palavras-chave nesta profissão

por Heloisa Valente
foto por Ailton de Oliveira

Mais do que conhecer os materiais específicos utilizados em cada tipo de operação, é fundamental que o instrumentador cirúrgico tenha bom relacionamento com os profissionais que estão à sua volta e seja comprometido com o trabalho para garantir o dia-a-dia na atividade. A receita é de Álvaro Miranda Faria, instrumentador cirúrgico da equipe de transplante do Hospital Bandeirantes, em São Paulo.

Ele atua há 20 anos no segmento e diz que um bom relacionamento abre portas no mercado de trabalho. “Você não precisa ser contratado de um hospital para atuar em cirurgias. A atividade permite trabalhar em vários lugares com equipes e ramos diferentes”, explica. Atualmente Faria se dedica ao setor de transplantes, mas já atuou em partos, cirurgias cardíacas, entre outras modalidades.

“Gostar de lidar com vidas e se ver inserido dentro da rotina de um hospital são características básicas para o profissional. Igualmente importante é ser comprometido”, afirma. Ele chega a participar de até três cirurgias em um só dia e diz que a profissão não permite ter final de semana livre. Por isso, ressalta a importância do comprometimento. “Não são todas as pessoas que apreciam trabalhar nos finais de semana e, nesse caso, fica inviável seguir adiante”, reflete.

Expediente e plantão
Faria diz que é muito comum o cirurgião dar expediente em hospitais públicos ou privados durante a semana atendendo pacientes de convênios e outros e transferir para o sábado um caso particular. “Com isso, é preciso estar de plantão para atender aos chamados”, conta.

O instrumentador cirúrgico é peça fundamental no procedimento operatório. É função dele fornecer o instrumental adequado ao cirurgião ou auxiliar durante o procedimento. Além de conhecer os instrumentos por nome, apelido ou gesto é sua responsabilidade checar o material a ser utilizado no transcorrer da operação.

O profissional pode prestar serviço como contratado em um hospital ou fazer parte de equipes médicas que atendem em diversos locais. “É praxe na profissão o instrumentador receber 10% do valor pago a um cirurgião. Em uma cirurgia cardíaca, por exemplo, onde o médico chega a receber R$ 5 mil, o técnico em instrumentação fica com R$ 500. É um bom valor, mas nem sempre essa é a realidade”, conta Álvaro.

Salário médio
“Muito comum é o técnico ser trabalhador contratado de um hospital e dar expediente 6 horas por dia. Nesse caso, o salário médio pode variar entre R$ 2 mil e R$ 2,5 mil por mês”, estima.

E para aumentar os ganhos e as oportunidades na profissão, o profissional destaca que é imprescindível especialização. “Além do curso técnico, que agora também exige noções de enfermagem, conhecer instrumentos de vários fabricantes e suas aplicações, além de vivenciar cirurgias em diversas áreas, são conhecimentos que podem fazer a diferença na hora de um novo emprego.”