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Enfermagem: profissão a serviço do paciente

Por Nilva Bianco

Ana Cláudia de Oliveira ainda se emociona com a lembrança de Gustavo, de 24 anos, tocando uma canção de despedida no violão. O cenário da lembrança não é uma praia, um aeroporto ou uma cidade distante; é uma cama de hospital. E a despedida seria para sempre, já que o jovem estudante veio a falecer algum tempo depois, de leucemia. A música foi a forma encontrada por ele para agradecer à equipe de enfermagem do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês pelo carinho e cuidado que vinha recebendo.

É difícil manter-se imune às emoções trabalhando dentro de um hospital. Especialmente sendo uma enfermeira especializada em oncologia, que em 17 anos de profissão já assistiu muitos pacientes. Uns partiram, como Gustavo, mas muitos outros estão curados. E durante um período crucial de suas vidas, profissionais como Ana Cláudia transformam-se em um núcleo de apoio que às vezes é o mais efetivo com o qual o paciente pode contar.

“No dia a dia do tratamento de uma doença como o câncer, normalmente o enfermeiro é quem estabelece o nível de relação mais profundo com este paciente, tentando entender não apenas seus sintomas físicos, mas as emoções que estão interferindo, inclusive ajudando-o a quebrar barreiras de comunicação com a família e vice-versa.”

Ela formou-se em 1996 pela Universidade de São Paulo e começou a trabalhar com pacientes oncológicos ainda na época da faculdade, quando médicos e estudantes criaram a Liga da Dor dentro do Hospital das Clínicas. Depois, construiu sua carreira em instituições como o próprio HC (onde viu casos mais extremos de pacientes oncológicos), o Hospital Sírio Libanês (onde permaneceu por 11 anos no Centro de Oncologia) e o Hospital São José, ligado à Beneficência Portuguesa, onde está desde 2011, como enfermeira coordenadora do Centro Avançado de Oncologia. No local, cerca de 120 pacientes recebem atendimento ambulatorial diariamente, em consultas, sessões de quimioterapia e/ou terapia de suporte.

Mas aos que pensam que a enfermagem é um vale de lágrimas, Ana Cláudia garante que não é assim. “Nosso trabalho é uma troca, onde damos atenção e cuidados especializados e recebemos reconhecimento, energia positiva, força e amizade. É mais fácil eu me abater com um problema burocrático do que com o atendimento aos pacientes, por mais duro que seja o dia”, afirma a enfermeira, que cita como atributos essenciais à profissão a capacidade de se colocar no lugar do outro, além, é claro, do domínio de saberes técnicos e científicos para a promoção de uma assistência baseada em evidência. Na equipe que coordena, ela faz questão que os enfermeiros prestem pessoalmente essa assistência.

Foi graças a esta dedicação que, quando trabalhava no Sírio Libanês, Ana Cláudia foi convidada pelo vice-presidente José Alencar a ser sua enfermeira particular. Alguns meses depois, em 2011, Alencar faleceu, vitimado pelo câncer que combateu por 15 anos. Para ela, esta tarefa representou uma grande responsabilidade e um reconhecimento de igual dimensão. “Foi uma confirmação de todas as coisas nas quais eu acredito e venho praticando todos os dias na minha profissão”.

Três coisas que eu aprendi

  • “O pré-requisito essencial para esta profissão é tentar se colocar no lugar do outro, entender o que ele está sentindo. O foco é o paciente, sempre.”
  • “Existem processos e protocolos para todos os tipos de assistência; conhecê-los é garantir a segurança e o bem-estar do paciente.”
  • “Nunca encare a dor como algo ‘normal’, embora às vezes o próprio indivíduo que sofre com ela pense que é desta forma.”