Home > Carreiras > Enfermagem > Empatia e compaixão formam técnico em mamografia

Empatia e compaixão formam técnico em mamografia

Paciente deve se sentir acolhida; atendimento humanizado é essencial

por Guss de Lucca
fotos por Ailton de Oliveira

Um dos principais agentes do Outubro Rosa, campanha de conscientização sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama, o técnico em mamografia é o profissional responsável por receber as pacientes e executar os procedimentos que envolvem o exame – um momento desconfortável para qualquer mulher, pois envolve a compressão do seio para análise.

“As mulheres sempre tiveram medo, mas a mamografia é um dos principais exames da detecção precoce do câncer de mama. Se detectado em fase inicial é possível curar a paciente”, explica Lucimar Rodrigues dos Santos, coordenadora do departamento de radiologia do Hospital Israelita Albert Einstein. “Por isso enfatizamos a importância do atendimento humanizado. A partir do momento que você consegue fazer com que a paciente sinta-se acolhida, ela relaxa e conseguimos um posicionamento adequado.”

Formada em técnica de raio-x e pós-graduada em gestão de pessoas, Lucimar coordena um grupo grande de profissionais da área de mamografia, sendo 14 delas na unidade do bairro do Morumbi, em São Paulo, onde são realizados cerca de 600 exames por mês em média.

Mesmo com a alta rotatividade do hospital, onde os exames ocorrem de 20 em 20 minutos, Lucimar ressalta para sua equipe a relevância de um bom atendimento. “A profissional tem essa responsabilidade, o desafio de mostrar a importância desse exame, deixando claro que é um desconforto suportável. Mas isso até um determinado limite. Se sentir que não consegue, ela tem total liberdade de me chamar, como coordenadora da área, assim como também o médico radiologista”, afirma.

Lucimar Rodrigues dos Santos, coordenadora do departamento de radiologia do Hospital Israelita Albert Einstein

Compaixão pelos pacientes
De acordo com ela, a compaixão pelos pacientes é o grande diferencial de um bom profissional da área de mamografia – e de qualquer outra que envolva o atendimento médico, quando os clientes estão normalmente fragilizados. “Operar o equipamento não é difícil. Você pega qualquer pessoa e a ensina ‘por osmose’. Repete que ele faz. Mas para tocar numa paciente, ainda mais nas mamas, que é a parte mais íntima e feminina do corpo de  uma mulher, essa profissional precisa entender sua responsabilidade, tem que amar as pessoas e gostar daquilo que faz.”

Com mais de 30 anos atuando no mercado, Lucimar acredita que a principal mudança é o volume de profissionais e laboratórios. Além disso, no início de sua carreira não havia cursos especializados. Os interessados, ela conta, buscavam informações em livros e faziam estágio voluntário nos lugares em que havia possibilidade de aprender mais sobre a profissão.

“Atualmente existe muita escola formando profissionais técnicos em raio-x. O mercado deu uma saturada para os profissionais medíocres, mas para aqueles que correm atrás, se diferenciam na busca pela excelência, sempre vai haver um lugar ao sol. E não acho que isso vale apenas para aqueles que trabalham em hospital estruturados, como o Einstein. Apesar do déficit do País em saúde, com equipamentos sucateados e falta de conhecimento das mulheres em relação ao câncer de mama, acho que o profissional precisa atender a todos com o mínimo de respeito”, decreta.