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Medicina é ferramenta de mudança, diz Alessandra

Por Lucia Helena Corrêa (in memoriam)

A menina que ainda outro dia brincava de boneca, do alto dos 18 anos e dos sonhos, “todos possíveis e pra ontem”, dia a dia mais, vira ativista no melhor sentido da palavra – do tipo que faz mais do que engrossar as manifestações de rua pela melhoria das condições de atendimento na saúde. Uma ativista disposta a fazer do serviço que ela mesma presta um meio de promover a justiça social.

Em seu primeiro emprego, no Hospital São Lucas, no bairro paulistano da Liberdade, Alessandra é coletora de sangue. Mas, aluna do curso de Análises Clínicas no Colégio Tableau, na zona Leste de São Paulo, vive entre a realidade de hoje, no papel de auxiliar de enfermagem, e o sonho de estudar Biomedicina e fazer, de maneira ainda mais plena, o trabalho social, de esclarecimento das populações carentes. E pretende usar como arma a Medicina preventiva.

“A Medicina é uma ferramenta de mudança, sim, e jamais será, simplesmente, algo pessoal, mas um caminho político. Todos nós, profissionais de saúde, não importa que posição ocupemos no organograma das empresas, temos obrigação de fazer com que os impostos que pagamos sejam, de fato, investidos na melhoria das condições de atendimento das UPAs e hospitais públicos. É urgente lutar pela moralização operacional do sistema, a começar pelo modelo de gestão, distribuindo de maneira racional os recursos e investindo na formação de profissionais qualificados, experientes”, defende Alessandra.

No dia a dia, estudando e trabalhando, confessa que, muitas vezes se sente tão cansada que prefere ficar em casa, com o pai, a mãe a as duas irmãs, a ir para uma balada com os amigos. No máximo, se arrisca no passeio diário pelas redes sociais, onde se atualiza sobre o que vai pelo mundo. Outras opções são o videogame, desenhos animados e filmes.

Mas o que a anima e empurra Alessandra para frente, neste começo de jornada profissional é a certeza de que está sendo útil. “No trabalho de coleta de sangue, no Hospital São Lucas, é muito gratificante quando consigo puncionar a veia do paciente com problema venoso grave. É muito bom usar o carinho da palavra, do sorriso, para reduzir a dor no ser humano”, finalisa Alessandra.

A batalha do primeiro emprego. Saia vencedor!
Em um país de jovens, nada mais previsível do que a virtual explosão de demanda por estágios e vagas para iniciantes. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) calcula que, por ano, o Brasil precisa gerar cerca de 20 milhões de novos empregos para absorver a mão de obra que chega aos vários setores da economia produtiva. Isso obrigaria o País a crescer, em 2013, à taxa de 4 a 5%.

Daquele total, pelo menos 65% são jovens com idade entre 14 e 25 anos, ainda cursando o segundo grau, recém-saídos dos cursos médios, principalmente de nível técnico, ou das universidades. As contas do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) multiplicam, pelo menos, por dois todos esses números, além da taxa de desemprego, que o instituto calcula em 5,3% da população economicamente apta para o trabalho, contra a taxa de 10,5%, projetada pelo Dieese. É preciso estar atento às oportunidades.