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Atuação do massagista fica nos bastidores

por Guss de Lucca
fotos por Rogerio Montenegro

Uma das peças que colaboram para o bom funcionamento das equipes de futebol, o massagista é aquele profissional muito solicitado, mas pouco visto durante treinos e partidas. Aliás, se isso ocorre é sinal que seu trabalho, que envolve cuidados nos bastidores, está sendo bem desempenhado.Massagista Raimundo Ceará do Corinthians

Veteraníssimo no ramo, o massagista Raimundo Ceará, do Corinthians, já acumula 43 anos de profissão – dos quais os últimos sete dedicados à equipe paulistana. Ao lado de mais dois profissionais, ambos formados em enfermagem, é ele quem cuida do bem estar físico dos atletas após treinos e jogos, um trabalho “direto, de domingo a domingo”.

Se no passado o massagista tinha que cuidar do elenco quase que exclusivamente com as próprias mãos, hoje são muitos os acessórios que auxiliam seu ofício. “Essas mudanças ajudaram bastante. Hoje temos o barril de gelo, onde eles ficam da cintura para baixo após os treinos, para fechar os poros depois do esforço físico. Aí passam pela banheira de água quente e vão embora”, explica Ceará.

 

Apesar de menor, a procura do massagista por parte dos jogadores ainda existe. “Hoje eles não vêm muito. Geralmente quando faço massagem é na panturrilha posterior, às vezes num torcicolo… Mas tem jogador que não gosta, que é muito ocupado”, brinca o massagista, ressaltando que fica à disposição do time sempre que necessário.

Ceará (foto ao lado) é realista em relação à profissão, que ele acredita não ser muito valorizada. “Fiquei mais de 12 anos no Palmeiras, trabalhei com a natação do Flamengo e passei quatro anos no ShowBall [versão do futebol jogada numa quadra de gramado sintético em dois tempos de 25 minutos]. Lá eu cansava minha mão, pois só tem velho! Mas hoje não ligam muito pra massagem mais, não.”

Massagista Dirceu Lima da PortuguesaSempre alerta
Com 22 anos de casa, o massagista da Portuguesa, Dirceu Lima (foto ao lado), tem em sua formação, além de enfermagem, cursos de massagens, como shiatsu, terapia corporal originada no Japão que utiliza pressões com os dedos ao longo do corpo.

“Somos dois e trabalhamos diretamente com a equipe médica”, conta o massagista. “Ficamos sempre de prontidão, preparando o gelo, a bebida e vendo se alguém precisa de ajuda. Na concentração fazemos uma revisão com os jogadores. Se algum estiver mal entramos em ação”, diz.

Lima gosta de ressaltar a importância do curso de enfermagem para aqueles que se interessam em ingressar na profissão. “Você trabalha com medicamentos. É importante saber aplicar injeção, soros… Mas essa experiência, ou macete, como a gente diz, você só pega no dia a dia, durante os treinos e jogos.”

Entre as muitas histórias vividas por ele em duas décadas no clube paulistano, ele recorda uma emergência em que um jogador escalado teve o apêndice estourado e foi levado às pressas ao hospital. “Fui correndo com ele pra já chegar e fazer a cirurgia”, conta. Mais uma prova de que além da massagem em si, conhecimento técnico de enfermagem é fundamental.