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Honestidade: qualidade da empregada doméstica

Governanta da mesma família há 50 anos, dona Cida fala sobre sua trajetória

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

Não é de hoje que a figura da empregada doméstica está presente nos lares brasileiros. Comum na classe média e quase que obrigatória na classe alta, é ela quem zela pela casa – e em alguns casos até pelos filhos – quando os patrões estão fora.

Prestes a completar 73 anos, Aparecida Brasil Gomes Xavier, a dona Cida, é uma dessas trabalhadoras que muito antes de sair da infância já trabalhava para uma família. Nascida no interior do Paraná, essa “paranaense falsa”, como costuma se definir por ter sido registrada em Boribi, no interior de São Paulo, começou a carreira aos nove anos, ajudando a cuidar dos filhos do dono de uma fazenda.

“Eu nem sabia que era babá. O pessoal falava ‘Cida, pega o brinquedo’ ou ‘coloca o fulano pra dormir’- eu não entendia nada, mas fazia o que pediam”, recorda ela, que acabou vindo morar com a família na cidade de São Paulo. “O pessoal me prometia escola e nada. Depois acabei pagando alguém pra me ensinar a ler”, conta.

Aparecida Brasil Gomes Xavier, a dona Cida, governanta

Tudo mudou quando o patrão implicou com seu namorado – com quem viria a se casar anos mais tarde. A implicância resultou na mudança de emprego, mas não para longe. Dona Cida continuou no mesmo prédio, localizado na Avenida Paulista, mas trocou de andar. E é com a segunda família que ela está até hoje.

À francesa
“Trabalho para eles faz 50 anos. Atualmente sou cozinheira e governanta. E moro aqui com o meu filho, apesar de ter a minha casa na Vila Madalena, onde costumo ir aos fins de semana para encontrar minhas amigas ou fazer um churrasco”, conta a doméstica, que coordena o serviço de outras empregadas da casa, como a copeira, que ela ensina como executar o serviço à francesa.

Por conta desse contato com funcionários mais novos, que de acordo com ela têm alta rotatividade, dona Cida tem experiência para avaliar mudanças de comportamento. “A postura mudou. Hoje, por causa das leis, elas trabalham no horário combinado e logo vão embora. Eu entendo o lado delas, sei que estão certas, mas como sou amiga dos patrões também enxergo os problemas deles.”

Aparecida Brasil Gomes Xavier  dona Cida governanta

Independentemente da função na casa, a governanta afirma que a principal qualidade de uma boa empregada doméstica sempre será a honestidade. “É a coisa mais importante pra quem trabalha nesse meio. Se encontrar uma moeda em algum lugar precisa entregar ao dono. Ser desleal é o pior defeito que uma empregada pode ter”, condena a veterana.

Fora isso, dona Cida aponta a dedicação com as tarefas e a educação no trato com os patrões como ferramentas valiosas para o crescimento no serviço. “Não pode ser grosseira. Se não gostou de algo que aconteceu, peça licença e converse com calma. Sem dúvida os patrões vão entender uma questão colocada dessa forma”, ensina.