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Foco do preparador físico é a eficiência dos jogadores

por Guss de Lucca
fotos: arquivo pessoal

Distante dos holofotes, geralmente apontados para jogadores e técnicos, o preparador físico é tão importante para uma equipe de futebol quanto um mecânico para um carro de corrida. É ele quem zela pelo desenvolvimento de cada atleta, visando deixá-lo no máximo de sua capacidade física e assim permitir que o time atue em sua plenitude.

Para Paulo Paixão, um dos nomes mais conhecidos no meio e atual preparador físico da seleção brasileira, cabe ao profissional preparar os jogadores para “desempenhar técnica e taticamente funções dentro de campo”. “Você tem que explorar a capacidade máxima orgânica do atleta e entregar ao treinador cada integrante do time na sua melhor forma possível, respeitando sempre os limites de cada um”, explica o veterano.

“Quando comecei era bem diferente. Não havia, por exemplo, um profissional com a função de analisador, que faz relatórios de treinamentos, das cargas executadas por cada jogador e coloca tudo no micro. Antigamente eu fazia tudo. Hoje trabalhamos com uma equipe multidisciplinar. Em determinados clubes você só pensa e outros executam”, explica o preparador, que em 40 anos de carreira acompanhou o desenvolvimento do ofício, que hoje conta com o esforço coletivo de outros profissionais, como treinadores, fisioterapeutas e nutricionistas.

Paulo Paixão

 

Questionado sobre a influência do preparador físico nas decisões da comissão técnica, Paixão esclarece que não tem poder de veto de jogadores, mas afirma que alertar o técnico de possíveis problemas é parte do trabalho. “Posso avisá-lo sobre um atleta acima do peso, que não está em condições físicas ideais, mas quem manda é o treinador. Claro que quando há entrosamento na equipe esse tipo de discordância não ocorre.”

Como prova da importância da preparação física, o veterano acumula algumas dezenas de títulos, como um Mundial Interclubes FIFA pelo Internacional, três torneios Libertadores da América e duas Copas do Mundo. “Cada conquista tem um sabor especial. Não tenho uma preferida, pois nenhuma veio com facilidades. Cada uma teve um preço e eu paguei com o meu comprometimento.”

Rotina de dificuldades
Com passagens por times de peso como São Paulo, Botafogo, Grêmio e também por dois momentos distintos da seleção brasileira (pré-olímpica e principal), o preparador físico Carlinhos Neves foca seus esforços no desenvolvimento da performance de cada atleta individualmente. “Participamos de todas as atividades, todos os dias, avaliando força, velocidade, resistência e coordenação dos jogadores. Com isso mantemos o técnico informado sobre o momento vivido por cada integrante da equipe”, diz.

Atualmente atuando no Atlético Mineiro, ele vê no calendário de jogos das equipes brasileiras uma das maiores dificuldades da preparação física. “Muitas vezes a distribuição de jogos deixa pouco espaço entre as partidas. Como vivemos num país continental, viajamos muito, o que também atrapalha. Quando duas competições acumulam pode acontecer da equipe jogar na quarta em La Paz, na Bolívia, e voltar pra jogar no domingo em outro estado brasileiro”, explica, apontando como possível solução a redução de datas dos campeonatos estaduais.

Preparador Físico Carlinhos Neves

 

Indagado sobre os obstáculos enfrentados em seu período como preparador físico da seleção brasileira, época em que trabalhou ao lado do técnico Mano Menezes, Neves aponta o pouco contato com os jogadores no período de amistosos como a principal dificuldade. “Você recebe os atletas, faz um ou dois treinos e vai logo pro jogo. É pouco tempo para desenvolver um trabalho decente com um elenco que normalmente atua em países diferentes. Além disso, diferentemente do treinador, o preparador físico não é exclusivo da seleção, mas mantém seu emprego no clube ao mesmo tempo em que trabalha para a CBF.”

A dica de Carlinhos para quem quer entrar no mercado é ser apaixonado por futebol e pesquisar bastante sobre o jogo, especializando-se ao máximo enquanto cursa a faculdade de educação física. “Comece pelas categorias de base dos clubes e não tenha tanta pressa, pois é uma carreira longa. Ao contrário do que ocorre com os jogadores, que tem limite de idade, o preparador físico só depende da competência do seu trabalho para continuar em jogo”, diz ele.