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Ex-craques falam de suas passagens pela seleção

Até hoje mais de 400 atletas já defenderam o Brasil em Mundiais

por Guss de Lucca
fotos: divulgação

Além de maior campeão da história da Copa do Mundo, com cinco vitórias, o Brasil é o único país que participou de todas as edições do torneio. Isso significa que até hoje já tivemos 19 seleções, com mais de 400 atletas vestindo a famosa camisa amarela na principal disputa do futebol. Porém, por méritos ou fracassos, houve quem se destacasse mais nessa história.

Tão ou mais celebrada que algumas das cinco seleções que já ganharam a Copa, a equipe canarinho que acabou eliminada pela Itália no fatídico 5 de julho de 1982 é apontada até os dias de hoje como o time dos sonhos que, por uma partida excepcional do craque Paolo Rossi, voltou para casa com as mãos abanando.

A equipe, formada pelo técnico Telê Santana, tido como um dos melhores treinadores que o país já teve, contou com figuras que ainda hoje são lembradas com carinho pela torcida, como Zico, Sócrates, Falcão, Toninho Cerezzo, Serginho Chulapa e Roberto Dinamite.

Peso da camisa canarinhoJunior seleção de 1982
Integrante desse elenco de estrelas, o craque Júnior (ao lado) sempre encarou a seleção como o grande objetivo de todos os profissionais que trabalham no futebol, “não somente pelo reconhecimento, mas também como uma meta pessoal”. Questionado sobre a diferença entre defender um clube e a seleção, Júnior disse acreditar num peso maior da camisa canarinho.

“É preciso encarar como uma consequência do que o atleta fez no clube. Ninguém é convocado sem fazer um bom trabalho. E se no clube é trabalho, na seleção é mais trabalho ainda. Somente 23 jogadores estão participando da Copa do Mundo. E a camisa da seleção brasileira naturalmente tem um peso maior que outra pela quantidade de vitórias”, afirma o craque.

De acordo com Júnior, sua convocação em 82 foi encarada com muita tranquilidade. “Cheguei na minha primeira Copa com idade, tinha 25 anos – já estava meio calejado. Por isso não passei pela ansiedade que muitos jogadores sentem na primeira convocação”, conta ele, revelando que já sabia que estaria no time. “Assim que voltou da Copa de 78, na Argentina, o Cláudio Coutinho, que era o técnico, disse que se arrependeu por não me levar. Então eu já sabia na primeira convocação, em 79, que estaria na equipe.”

Aplausos da torcida
Além dos momentos em que esteve em campo, uma lembrança marcante da Copa de 82, na Espanha, foi o retorno o Brasil. “Havia uma expectativa muito grande. Assim que começamos a sair do desembarque no aeroporto do Galeão, no Rio, as pessoas nos aplaudiram. Isso porque o trabalho foi bem feito. A gente ficou apreensivo, pois falavam em tragédia do futebol, mas a receptividade até hoje continua exatamente como foi”, conta.

Sobre a pressão em cima da atual seleção, que irá jogar em casa 64 anos depois da última Copa realizada no País, Júnior acredita que será preciso trabalhar o lado emocional da equipe para evitar problemas. “Qualquer seleção que joga em casa sofre pressão. Se não houver uma estrutura emocional o time sai no prejuízo. Com a Itália aconteceu em 90, com a Alemanha em 2006… É preciso deixar o individual de lado pra não terminar sofrendo depois.”

seleção de futebol de 1970Embaixador do futebol mineiro durante a Copa do Brasil, o craque Dadá Maravilha (foto abaixo), um dos integrantes da seleção que faturou o tricampeonato em 1970, ao lado de Carlos Alberto, Gérson, Rivellino, Tostão e Pelé, diz que estará à disposição para ajudar a organização do Mundial no que for preciso.

O veterano dos campos conta que não sentiu diferença ao jogar com a camisa amarela, mas sabe de muita gente que não suportou o peso de servir a seleção mais vitoriosa do mundo. “Pra mim foi a mesma coisa, mas está comprovado que para muitos não é. Eu prefiro não citar nomes, mas esse número não é pequeno. Às vezes eles amarelam, pois ela pesa mesmo”, comenta.

Ciúmes entre jogadoresDadá Maravilha seleção de 70
Sobre os ciúmes entre os jogadores da sua época, Dadá credita ao então técnico da seleção, Zagallo, a perspicácia em saber administrar tantos craques. “No começo tinha ciúmes e o Zagallo ficava numa situação terrível. Mas antes de divulgar a lista de titulares e reservas ele deixou claro que nenhuma vaga tinha dono. Se alguém jogasse mal, seria logo substituído. Isso trouxe ao time uma paz de espírito e o transformou numa família. E a Copa foi um mar de rosas. Tanto que a seleção de 1970 é tida no mundo todo como a melhor de todos os tempos.”

Nas palavras de Dadá, tudo que envolve a seleção atual é mais favorável aos jogadores do que na sua passagem. “O período atual é disparado mais tranquilo. A bola é melhor, a chuteira é melhor, a camisa é leve… Na minha época a gente entrava com uma camisa pesando dez gramas e saía vestindo dez quilos. E além da modernidade, o dinheiro que eles ganham é um absurdo, motiva muito mais”, diz.

“A chuteira atual é tão perfeita que até direciona a bola – além de ser leve como a bola. Na minha época ninguém queria ficar na barreira. Se o Rivellino batia uma falta e te acertava ficávamos uns quinze dias com dor no coco”, brinca o ex-jogador, ressaltando a existência do fantasma da Copa de 50. “Tem muita gente pensando no ‘Maracanaço’, quando a seleção brasileira, então favorita, perdeu a final pro Uruguai. Isso vai assustar os jogadores.”