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Tábata, a economista: estudo para derrubar preconceitos

Por Lucia Helena Corrêa

O nome é complicado: amiotrofia espinhal progressiva – doença congênita, hereditária, que se manifesta logo aos três meses e, ao longo do tempo, causa fraqueza muscular e paralisia. A única maneira de retardar seus efeitos é submeter-se à rotina disciplinada de exercícios e, “acima de tudo, conservar-se produtiva, manter a atitude positiva diante da vida”, ensina a economista Tábata dos Reis, formada Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, funcionária concursada da Petrobras desde 2008. Aliás, duplamente aceita: pela alta pontuação obtida e graças ao sistema de cotas para portadores de deficiência, previstas na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991.

Tudo começou aos 12 anos, quando Tábata começou a apresentar dificuldade para caminhar. Depois de diagnosticada a causa dos sintomas, ela e a família, sempre solidária, não perderam tempo: entraram com as sessões de natação, fisioterapia e hidroterapia. O corpo respondeu: apesar de não ter cessado a evolução da doença, diminuiu seu ritmo.

Tábata: conservar-se produtiva e manter a atitude positiva é o melhor remédio (Fotos: Rogério Montenegro)

Tábata: conservar-se produtiva e manter a atitude positiva é o melhor remédio (Fotos: Rogério Montenegro)

Aos 28 anos, Tábata honra o perfil das pessoas batizadas com esse nome de origem grega que significa “gazela”: é otimista, carismática e cheia de vitalidade. Elogia tudo aquilo que é bem feito. Por outro lado, detesta incompetência e preguiça. Adepta do capricho, Tábata conquistou espaço entre os economistas da Petrobras. Mas não apenas isso: angariou o respeito e a solidariedade da alta administração da empresa. Tanto que, quando ela chegou, em 2008, o prédio da Nilo Peçanha, na região central da cidade, foi 100% adaptado à circulação dos cadeirantes – da largura das baias que acolhem as estações de trabalho aos banheiros, das portas à altura das pias, passando pelo uso de controle remoto para cruzar as catracas.

Embora a análise de viabilidade econômica de projetos seja um trabalho perfeitamente executável em regime de home office, a Petrobras ainda não adota o modelo. Isso obriga Tábata a acordar muito cedo para sair da Barra da Tijuca, na zona eeste do Rio de Janeiro, enfrentar o trânsito pesado e cruzar a cidade a tempo de chegar ao centro no horário. Mas, em vez de oito horas, trabalha sete, três vezes na semana.

“Antes de chegar à Petrobras sofri muita discriminação. Ainda me lembro da humilhação pela qual passei numa entrevista para admissão num banco. Mas até que foi bom, porque resolvi estudar mais, a fim de derrubar as barreiras levantadas pelo preconceito.”

Hoje, Tábata se sente 100% aceita. “E feliz”, garante a economista na conversa com a reportagem, enquanto arrumava as malas para a viagem de férias à Itália.

Dicas de carreira de Tábata

  • Não pare de lutar.
  • Estude sempre: disso depende grande parte do sucesso profissional.
  • Não deixe de se atualizar.
  • Sempre se pode ir além das pernas.
  • Aceite-se e lute pelos seus direitos, e o respeito e o reconhecimento virão.