Home > Carreiras > Economia > Lógica apurada é a arma do bom economista

Lógica apurada é a arma do bom economista

A economia afeta a vida de todos, mas entendê-la não é um trabalho fácil

por Guss de Lucca

Apesar da economia afetar a vida de todos, entendê-la não é trabalho para qualquer um. As muitas variáveis que envolvem o sobe e desce de bolsas de valores pelo mundo permanecem misteriosas aos olhos do grande público – e é nesse momento que a figura do economista surge, muitas vezes com a falsa impressão profética.

“O pior que o economista tem para oferecer é a previsão. E é o que mais nos pedem”, comenta o economista Alexandre Schwartsman. “Você consegue discernir algumas tendências com base no que aconteceu e acontece. Por exemplo, observando a política econômica em 2011 vi que teríamos problemas, mas não acertei a intensidade – em grandes linhas eu acertei, sabia que ia ter inflação, mas nem cheguei perto dos detalhes.”

Com plano original de frustrar os pais, que esperavam ter um filho médico, o futuro economista queria originalmente ser historiador. “Acabei fazendo administração e economia e durante as aulas decidi que ficaria na economia mesmo”, recorda ele, definindo o papel do economista como a pessoa que “tenta explicar o fenômeno econômico para aqueles que não seguem o que está acontecendo”.

Gama de especializações
Questionado sobre as áreas de atuação desse profissional, Schwartsman aponta uma gama de especializações que podem determinar o trabalho de um economista. “Tem gente que como eu tenta entender o que está acontecendo, inflação, desemprego, juros; e tem economistas que cuidam da defesa de concorrência, comércio internacional”, afirma.

“Tem o pessoal que está envolvido na fronteira do direito com a economia – questões como fusões, aquisições, aumento de poder de mercado. Lá fora muitos economistas estão lidando com Big Data, esse volume de dados gerado por tráfego de internet. Outros se especializam em políticas públicas, tributação sobre renda, consumo, como minimizar as perdas associadas a impostos”, exemplifica o economista.

Aos interessados em entrar nesse universo Schwartsman aconselha estudar principalmente matemática e estatística. “Em minha opinião o bom economista precisa ter um senso lógico muito apurado, um raciocínio analítico muito bom. E sem dúvida ter um respeito extraordinário em relação aos dados. Os modelos teóricos ajudam, mas em última análise é preciso saber como os dados são calculados e quais os limites daquelas informações.”

Fenômeno econômico
“Cabe ao economista reconhecer que conseguimos ter um entendimento parcial do fenômeno econômico, mas não um entendimento completo. Por exemplo, tempos atrás fiz um trabalho em parceria sobre taxa de câmbio. Passado um tempo, você volta para aquele serviço e percebe que não ajuda mais tanto – ele perde o poder explicativo”, diz.

Continuar estudando mesmo depois de terminada a formação também é condição para quem visa crescer no campo da economia. “Eu tenho um filho economista e sei que sem um mestrado fica difícil ter uma carreira sólida”, reconhece o veterano.

*O Dia do Economista é comemorado em 13 de agosto.