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O ambiente diferenciado  do direito do futuro

Escritórios deixam um pouco da formalidade de lado e avançam no campo virtual

por Fernando Porto
foto por Newton Santos

Um escritório de advocacia onde é liberado o uso de gravata e de roupas sociais e os advogados não precisam ser chamados de doutores. E nada da rotina diária em tribunais. Esse ambiente informal corresponde hoje à área do direito digital, ou direito do futuro, que cresce a cada dia em demanda graças aos avanços intermináveis da tecnologia em todas as áreas da sociedade.

Um dos exemplos desse novo ambiente é no escritório Pinhão e Koiffman Advogados, localizado na Vila Olímpia, em São Paulo. Além de não seguir a linha tradicional e “sisuda” do setor, as contratações de novos advogados são realizadas predominantemente via online e as entrevistas feitas por Skype.

“Temos reuniões semanais do que chamamos de Task Force: nossa equipe de inovação, que traz as tendências da área de TI. Discutimos todas as possíveis implicações jurídicas, como questões trabalhistas, tributárias, contratuais, consumeristas e societárias”, diz Nelson Koiffman, diretor do escritório. Ele explica que o ambiente informal serve para reduzir o stress interno e há até mimos, como serviços de manicure para as advogadas.

Propriedade intelectual
A santista Mariana Sbaite Gonçalves está há dois anos no escritório em São Paulo e já se adaptou ao direito digital. “Por vocação, fazia direito trabalhista e, de um ano para cá, mudei para a área de tecnologia, atuando em propriedade intelectual (antipirataria)”, explica. 

“Tive de conhecer a lei de direitos autorais e a legislação de softwares porque mudei completamente de área. E tem essa adaptação não só da matéria de direito como também do ritmo de trabalho. No contencioso, que fazia mais em trabalhista, atuávamos com muitos prazos judiciais. E, nessa mudança, passamos a fazer mais a parte de extrajudicial, sem precisar ir ao fórum”, compara a advogada.

Luiza Balthazar, 23 anos, está há seis meses morando em São Paulo e trabalhando no escritório PK. “Sou de Florianópolis e trabalho com direito empresarial, concentrada em contratos. As pesquisas que fiz, durante a faculdade, já eram nessa área, como propriedade intelectual e antipirataria”, explica.

Extrajudicial
“Agora, aqui só atuo no extrajudicial e não faço contencioso porque trabalho mais com fusões e aquisições de empresas, contratos de tecnologia e, às vezes, desenvolvimento de produtos.”  Luiza diz que foi fácil se adaptar à área. “Em tecnologia, há alguns tipos de contratos que se repetem mais, como acordo de confidencialidade, desenvolvimento de softwares e licenciamento.”

Para ela, é preciso repensar o direito como um todo. “A tecnologia vai influenciar o direito cada vez mais. O caminho é esse: acompanhar as mudanças da sociedade em relação às inovações”, conclui.