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Não é tão difícil exercer a magistratura, diz Fátima Pirauá

Por Fernanda Costa

Fátima Pirauá

A juíza Fátima Pirauá entrou na faculdade aos 17 anos – curso de Letras da Universidade Federal de Alagoas – e aos 21 anos, já formada, foi contratada para ensinar as matérias de Português e Inglês num colégio estadual de Porto Calvo, cidade natal da família. Trabalhou também fora da sala de aula, como técnica da Secretaria de Estado da Educação e, por influência do marido, o advogado Ney Pirauá, decidiu estudar Direito.

“Estou na magistratura há apenas 18 anos. Quando optei pelo Direito, eu já era casada, com três filhos e, morando em Porto Calvo (interior do estado), vinha todas as noites estudar em Maceió. Quando penso no sacrifício que fiz… mas me encantei pelo curso de Direito”, diz a hoje prestigiada titular do 10o Juizado Especial Cível e Criminal, localizado no bairro periférico de Benedito Bentes, em Maceió.

O mercado de trabalho abriu-lhe as portas assim que saiu do curso. “Eu e uma colega de faculdade, Vânia Lima, ainda terminando o curso, decidimos que, depois que nos formássemos, abriríamos um escritório. Ainda trabalhava na Secretaria de Educação e acumulei as duas funções”. Mas o Direito, digamos, foi apertando o cerco. E lá estava ela, em 1995, prestando concurso para magistrada. No mesmo ano assumiu a função de juíza substituta no município de Rio Largo.

Coordenou, até 2012, a Central de Conciliação – que, segundo ela, “é hoje um centro judiciário de solução de conflitos” – e, chamada a ocupar a posição de juíza auxiliar da Corregedoria Geral de Justiça, atualmente está afastada do 10o Juizado Especial Cível e Criminal.

“Por conta do trabalho junto a essas varas de família, frequentemente sou solicitada a falar sobre Direito de Família. Nessa Central de Conciliação, que coordenei por oito anos, fazia muitas audiências das varas de família”, afirma a juíza, reconhecendo o próprio talento para resolver conflitos familiares. “Eu me identifico muito”.

Fátima Pirauá

Para quem deseja seguir carreira no judiciário, ela informa que o mercado é bastante diversificado. “Apesar do grande número de faculdades de Direito e do grande número de profissionais que se formam todo ano, se você for bem preparado, o campo é bom. Não é somente advocacia. Há uma gama, um leque muito amplo de possibilidades. Você pode fazer concurso para Tribunais, Defensoria Pública, Procuradoria de Estado e Procuradoria da República, Advocacia Geral da União”.

Admitindo ser uma mulher feliz na profissão que escolheu, lamenta que as políticas públicas não cheguem às famílias que estão em áreas de grande vulnerabilidade social, mas não desiste de seu compromisso:  “Encaro a função de magistrado como uma missão”.

Dicas de carreira da Fátima

  • “A Defensoria Pública hoje existe em todo o Estado – isso facilitou muito o acesso do cidadão à Justiça. A demanda crescente é proporcional ao número de cidadãos bem informados que buscam os seus direitos”;
  • “Para quem advoga, não é tão difícil exercer a magistratura. Aos 42 anos, eu tinha uma experiência de vida: advogava, já tinha sido professora, enfim, tinha uma bagagem. O juiz no interior é solicitado para resolver muitas situações, nem sempre através da Lei, mas pelo bom senso, a maturidade – isso ajuda na solução dos conflitos”;
  • “É preciso ter bom senso. O problema também é a litigiosidade das pessoas – a sociedade está muito litigante. Muitos casos que seriam resolvidos pelo bom senso acabam requerendo a intervenção estatal para a solução do conflito”.