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Diagramador deixa a leitura ainda mais prazerosa

Formação em designer gráfico ou produção editorial vai ajudar sua carreira

por Guss de Lucca
fotos por Newton Santos

O crédito de um bom livro naturalmente vai para seu autor, o responsável pela ideia e pelas horas gastas na frente de um computador digitando as palavras que, unidas, se tornarão uma história. Porém, existe outra figura na cadeia produtiva de uma obra impressa cuja importância nem sempre é levada em conta pelo público: o diagramador.

Formada em produção editorial, Marina Avila entrou no mercado de diagramação pelo interesse em capas de livros. “Comecei apenas com elas e consegui um emprego na editora Vida e Consciência, da Zibia Gasparetto. Só que lá eles precisavam de diagramador. Então tive que aprender na marra, com o pessoal me ajudando, e vi que era uma coisa legal de fazer”, conta.

Questionada sobre o papel do diagramador, Marina afirma que a função vai além do simples ajuste de palavras nas páginas. “Geralmente falo que o diagramador cuida da beleza interna do livro, deixando a leitura agradável ao leitor e a obra com aspecto profissional”, diz ela, que atualmente trabalha como freelancer para editoras e autores independentes – serviço que ocupa em média oito horas de seu dia.

Atenção redobrada
“Acredito que dê para diagramar com atenção, fazendo com calma, cerca de 250 páginas por dia. A parte mais complicada é quando volta da revisão com muitas observações – aí são 100 páginas por dia. Por isso o ideal é que os arquivos já venham revisados o máximo possível”, explica Marina, ressaltando algumas diferenças entre os tipos de clientes.

Marina Avila diagramadora

Segundo a profissional, algumas editoras revisam o livro mais duas vezes depois da diagramação. Outras fixam um limite de páginas – seja para deixar livros pequenos maiores ou menores. Aí entra o trabalho do diagramador. “Para conseguir isso podemos aumentar as entrelinhas e as fontes, mas com limite, pois o leitor, que é o consumidor final,  não pode ficar cansado de ler pouco em cada página.”

No caso de autores, Marina diz que o contrário é mais comum, afinal, encolher o número de páginas deixa o livro mais leve e barato. Porém, da mesma forma que ocorre no aumento, a diagramadora salienta que existe um limite aceitável do ponto de vista editorial – caso das edições da série As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin, que têm margem e fonte muito pequenas.

Criação de capas
Apesar do dia a dia puxado, ela alterna o trabalho das páginas com a criação de capas. “A própria diagramação acaba sendo cansativa depois de um tempo. O olho cansa. Por isso gasto umas cinco horas com isso e outras três para fazer capas, quando consigo descansar das letrinhas. O bom é que geralmente fazem o pedido das duas coisas juntas e acabamos fechando um pacote.”

Aos futuros diagramadores, Marina aconselha buscar uma formação em designer gráfico ou produção editorial, cursos em que se aprende muita coisa sobre público-alvo, economia de papel e como é feita a impressão. Além disso, ela recomenda começar dentro de uma editora ao invés de se aventurar no mercado freelancer. “Na editora onde eu trabalhava víamos os projetos, avaliávamos os tipos de espaçamento, a impressão. Foi uma escola”, afirma.