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Ser contador é ser controlador?

Por Fernanda Bottoni

Robinson Ribeiro Rodrigues, de 38 anos, decidiu estudar Contabilidade durante uma conversa que teve com o pai aos 14 ou 15 anos.  “Estávamos falando sobre carreiras que oferecem mais estabilidade e, num certo ponto, ele sugeriu que eu estudasse Administração de Empresas ou Contabilidade”, conta o filho, que optou pela segunda por ser mais específica.

De cabeça feita, o garoto se formou em Técnico Contábil no Ensino Médio e depois cursou Ciências Contábeis na Universidade Braz Cubas-Mogi das Cruzes.  Na mesma época em que teve a conversa com seu pai, começou a trabalhar como mensageiro em uma empresa de comércio de equipamentos  industriais. Depois de formado, passou quatro anos na Chandon do Brasil, como analista contábil e financeiro, cinco anos na Pitney Bowes Semco, como coordenador de controladoria, mesmo cargo ocupa há pouco mais de um ano na Glory Global Solution.

Toda essa trajetória fez com que ele aprendesse a ser mais prático. “Passei a encarar problemas de outra forma e aprendi que não importa o quanto o ambiente é adverso, com esforço, trabalho e inteligência as dificuldades são ultrapassadas”, comenta.

Outro aprendizado foi que pesquisa e atualização profissional devem ser contínuas, ainda mais para quem trabalha diretamente com o intrincado sistema tributário brasileiro, como ele diz, com seu número exacerbado de controles e declarações e a quantidade excessiva de normas, leis, regras… “Todo o trabalho que de uma forma geral é feito para o governo é bem complicado”, explica.

A melhor parte, segundo Robinson, é o controle e o acompanhamento dos resultados da empresa, a possibilidade de medir a rentabilidade de cada operação, a valorização de cada estratégia e o fornecimento de informações para as tomadas de decisão. “Com isso, é possível projetar a situação da empresa para os próximos anos”, explica.

Dicas de carreira do Robinson

  • As mudanças (laterais ou horizontais) ocorrem no seu devido tempo, mas sempre é preciso ter um “plano de voo” para se orientar e saber se é necessária uma mudança de rota para alcançar seu objetivo;
  • No início, o ideal é não se especializar e trabalhar em todas as áreas administrativas e financeiras para ter uma visão global e generalista das empresas;
  • A postura ideal para um controller é de transparência e de segurança. É preciso ser firme nas informações e conceitos e estar sempre disposto a ajudar e interagir com as demais áreas da empresa, orientando e esclarecendo dúvidas. Um controller tem um papel muito ligado ao “compliance”, inclusive ao relacionado a normas e políticas e procedimentos da empresa;
  • Fazer outro curso, além de Ciências Contábeis,  cria um nicho ou determina um foco. Por exemplo,  um controller que também tenha formação em Direito,  muito provavelmente estará focado mais na parte fiscal e tributária. Se fizer Economia, tenderá mais para o planejamento. Com Administração, provavelmente vá para a área estratégica e de governança corporativa e por aí vai;
  • Um ponto indispensável – acho que o mais importante de todos – para alguém que queira se destacar nesta profissão é o domínio de uma língua estrangeira, especialmente o inglês. Existem poucos bons controllers no mercado que tenham experiência e fluência em outras línguas.