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O contador moderno é um gestor dos negócios

Por Kety Shapazian
Fotos de Rogério Montenegro

Sabe aquele profissional arcaico, burocrata, conhecido anos atrás como “guarda-livros”? Esqueça. O contador do século 21 não se encaixa em nenhum dos estereótipos que possa lhe vir à cabeça quando o assunto é Contabilidade.

As oportunidades de trabalho para a carreira de contador são inúmeras e esse novo profissional deve se preparar para um mercado que sofre, a todo o momento, fortes influências de uma cultura não só globalizada, mas também extremamente exigente.

Ter uma Contabilidade em dia, em um País campeão em recolhimento de impostos como o nosso, é imprescindível e transformou a profissão em indispensável. Prova disso é a procura pelos cursos de Contabilidade: a carreira entrou, pela primeira vez, no ranking das dez mais procuradas pelos jovens no vestibular, segundo dados do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), do Ministério da Educação.

De acordo com o Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP), cresce a cada edição o número de contadores, bacharéis e técnicos interessados em passar no exame de suficiência, requisito para obtenção do registro.

A maioria dos graduados é absorvida pelo mercado de trabalho imediatamente após a formatura e a perspectiva de salários altos atrai – e muito. Um diretor de controladoria (“controller”) de uma grande empresa, por exemplo, pode chegar a ganhar R$ 30 mil por mês, segundo Reginaldo Gonçalves, coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina. A graduação foi a única em São Paulo a receber nota máxima – 5 – no último Exame Nacional de Desempenho de Estudantes, o Enade.

“O curso de ciências contábeis não tinha o ‘appeal’ que a administração de empresas sempre exerceu sobre os alunos. Hoje, essa situação se inverteu” diz Gonçalves.

Em 2005, o País aderiu às normas internacionais de Contabilidade e as empresas tiveram até 2010 para se adaptar e fechar suas planilhas dentro das novas regras. O profissional brasileiro ganhou mais visibilidade e agora até pode atuar fora do Brasil, mas nem todos se adaptaram ainda.

Reginaldo Gonçalves Contador

“As pequenas e médias empresas ainda estão se adequando às normas. Já as grandes empresas, que têm ações na Bolsa de Valores e operam no exterior, sofrem uma pressão muito grande. Se não apresentarem as declarações nos moldes internacionais vão deixar de vender ou não vão conseguir empréstimos no exterior”, analisa Gonçalves.

O coordenador ainda avisa: em grandes empresas contábeis, além de inglês e espanhol, o mandarim já está se tornando uma exigência, visando os negócios com a China.

Segundo Gonçalves, um profissional desatualizado vai ter dificuldades para encontrar emprego, apesar de o mercado estar tão aquecido. “O segredo é estudar muito e sempre. O profissional precisa se atualizar a todo o momento porque as legislações mudam a todo momento também. Se ele não se atualiza acaba não se destacando também.”

A jovem que se destacou
Aline Janis Melo Silva, 24, nem se formou ainda e já se destacou. Conseguiu ser aprovada no exame de suficiência quando cursava o sétimo semestre na Santa Marcelina e hoje trabalha na Assessoria Contábil Águia de Haia, no Belenzinho, zona leste de São Paulo.

Aline Janis Melo Silva Contador

“O exame foi bem complexo, abrangendo tudo que aprendemos na faculdade. Achei difícil, mas se o aluno conseguir absorver bem o que o curso proporciona, ele tem uma boa chance de ser aprovado. Na hora da prova, também é preciso manter a calma”, destaca a jovem.

Trabalhando na área de departamento de pessoal, ela se sente desafiada diariamente. “Passo o dia pensando como vou resolver a situação do meu cliente. Já fui até conversar com fiscal de penhora na porta do estabelecimento, ver o que poderia ser feito.”

O Conselho Federal de Contabilidade normatizou diversas atribuições do profissional contábil, dividindo-as em contador (que atua nas mais diversas áreas, da contabilidade pública à rural ou hospitalar), auditor (um dos segmentos que mais cresce), perícia contábil (importantíssima, pois pode comprovar desvio ou má utilização de recursos financeiros), analista financeiro e consultor.

Novas atribuições
Além dessas atribuições, o conselho ainda cita outras perspectivas profissionais na área, como investigador de fraudes contábeis, auditoria ambiental, contabilidade ecológica, entre outras. Dentro desse universo, algumas das áreas com grande crescimento estão no campo da auditoria e no da perícia contábil. Além disso, o terceiro setor, com contabilidade bastante específica e rígida quanto à prestação de contas, também oferece oportunidades promissoras.

De acordo, com o CRC-SP, o total de profissionais do setor no Brasil (contadores com bacharel e técnicos em contabilidade) soma quase 490 mil, dos quais 252 mil estão na região sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo). Desses, 101 mil são mulheres. O Estado de São Paulo concentra cerca de 134 mil profissionais – cerca de 53 mil mulheres.

E quem seria o contador do século 21, citado no começo desse texto? “É aquele profissional que prepara as informações contábeis de forma clara e objetiva para seus usuários. Ele é um gestor dos negócios e um dos principais responsáveis pela ascensão dos negócios das companhias. É ele quem orienta, conduz e direciona as tomadas de decisões baseadas em relatórios financeiros e proporciona tranquilidade aos empresários que confiam em seu trabalho. A busca da atualização é a marca de um excelente profissional”, define Claudio Filippi, porta-voz do CRC-SP.

Contador: Reginaldo e Aline