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Claudia Sciré: passeio entre a teoria e a prática de Ciências Sociais

Por Fernanda Bottoni

Claudia Sciré, de 29 anos, emendou a graduação em Ciências Sociais com um mestrado em Sociologia, ambos na Universidade de São Paulo. “O mestrado acabou virando o livro Consumo popular, fluxos globais: práticas e artefatos na interface entre a riqueza e a pobreza, publicado pela editora Annablume no ano passado”, conta ela, cheia de orgulho.

Apaixonada pelo assunto, Claudia passou dois anos entrevistando moradores do bairro do Campo Limpo, na periferia de São Paulo. “Entre 2007 e 2009 praticamente vivi da bolsa que consegui para estudar e das aulas de alemão que eu dava”, conta. Com o fim do mestrado, ela precisava trabalhar mas, mesmo assim, foi convencida pela orientadora a tentar um doutorado. “Propus um projeto que foi aprovado, mas não consegui bolsa”, afirma. “Naquele momento, o que eu queria mesmo era ir para o mercado”, revela ela que, em 2010, conseguiu emprego no Datapopular. “Tinha tudo a ver com o meu mestrado porque a empresa faz muita etnografia da classe C.”

Foi assim que Claudia conheceu outro lado da sua carreira.

“Finalmente tive contato com a parte prática. Precisei aprender a lidar com várias coisas, gerenciar projetos e pessoas, ir atrás de resultados, acompanhar e atender clientes. Para isso, você precisa ter tato e estar sempre disponível.”

Em novembro de 2011, ela foi chamada para trabalhar na TNS Research International. “Como era uma empresa muito maior, tive outros desafios, precisei dar conta de outros processos e aprendi também a fazer pesquisa quantitativa, que não era minha especialidade.” Com o passar do tempo, ela começou a ser chamada também para moderar grupos de discussão. “Achei muito legal investir nisso porque entrevistar uma pessoa é fácil, mas entrevistar várias ao mesmo tempo com gente assistindo do outro lado é outra coisa.”

Seu trabalho estava sendo reconhecido e tudo indicava que ela seria promovida em breve. Contudo, chegou o tempo de sua primeira qualificação de doutorado. Sua carreira mudou de rumo. “Foi bem difícil, mas eu passei”, comemora, visivelmente tensa com o que vem pela frente.

Dividida entre a antiga paixão pela vida acadêmica e o novo namoro com o mercado de trabalho, Claudia acabou deixando a TNS para concluir o doutorado. “Agora que conheci o outro lado, não estou muito convicta de que vou seguir carreira acadêmica. Mas não quero largar o doutorado sem terminar”, confessa.

Enquanto não decide qual rumo deve seguir, a doutoranda se prepara para entregar tudo no prazo, que vence em fevereiro do ano que vem. Paralelamente, para se manter financeiramente e não perder a prática, vem desenvolvendo trabalhos como pesquisadora autônoma.

Para ela, seu trabalho é apaixonante porque estimula a pensar e questionar tudo o que aparece pela frente. “Você vai contra a maré, mas eu considero esse um dos maiores benefícios das Ciências Sociais”, afirma.

“No mercado de trabalho, eu me destaquei exatamente por ter este olhar que o profissional de marketing ou publicidade não tem. Bem ou mal, o cientista social, além de interpretar um dado, consegue achar explicações para ele.”

Dicas de carreira da Claudia

  • Durante a graduação, recomendo procurar cursos práticos para aprender a utilizar ferramentas e programas de pesquisa, fazer apresentações em PowerPoint etc. São coisas que você não aprende na faculdade, pelo menos não na USP.
  • Vale a pena procurar estágio logo no segundo ou terceiro ano de curso porque é durante a graduação que você pode testar ao máximo o seu curso. Se não gostar de uma área, pode experimentar outra e ir conhecendo melhor o mercado lá fora.
  • Invista nos processos seletivos de estágio para grandes empresas. Hoje em dia, há muitas vagas para quem faz Ciências Sociais, mesmo quando o curso não está listado nos pré-requisitos.

Confira algumas vagas na área de Ciências Sociais