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Eleição evidencia trabalho do cientista político

Especial sobre profissionais dos bastidores das eleições começa hoje

por Marcus Lopes

Analisar o movimento de cada peça no tabuleiro e tentar antever o próximo passo do jogador.  Se eleição fosse um jogo de xadrez, esse seria o papel do cientista político. Entre as inúmeras carreiras ligadas diretamente às eleições, cabe a ele utilizar o seu conhecimento para interpretar e fazer projeções relativas ao processo eleitoral, unindo cálculo, metodologia, teoria política e, claro, muita experiência.

O trabalho do cientista político praticamente dobra nos meses que antecedem ao pleito. Este ano, em especial, as requisições de análises começaram bem mais cedo, por conta dos protestos que tomaram conta do País desde junho do ano passado.

“A agenda ficou mais apertada de 2013 para cá”, diz o cientista político Rudá Ricci, que mora em Belo Horizonte (MG).  Até o fim do segundo turno, a exemplo do que aconteceu em disputas passadas, ele será muito requisitado para análises e tendências eleitorais por jornalistas nacionais e estrangeiros, partidos políticos, empresas e entidades. Isso sem contar convites para palestras, minicursos e artigos técnicos.

Formado em Ciências Sociais pela PUC-SP, Ricci começou a se interessar por política aos 16, quando ingressou em movimentos sociais. O ano era 1979 e o País fervia, rumo à democratização.

cientista político Rudá Ricci Belo Horizonte

O jovem, que nasceu no interior paulista e morou durante muitos anos na capital, frequentou palestras e aulas de nomes como Florestan Fernandes, Paulo Freire, Paul Singer e Fernando Henrique Cardoso.  Em 1989, coordenou o programa agrário do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Nos anos seguintes, coordenou diversas campanhas eleitorais para governadores, prefeitos, deputados e vereadores.

“Mas, como a de 1989, nunca mais presenciei. Hoje as campanhas são excessivamente empresariais, como a montagem de um megaevento musical ou esportivo”, diz Ricci, que coloca como premissa básica do bom profissional da área ser apaixonado pelo que faz. “A política é uma simbiose entre cálculo e paixão”, ensina.

Processo metodológico
Segundo ele, o objetivo do cientista político é saber calcular com precisão as tendências, em um processo muito mais metodológico e de cálculo do que uma simples inspiração.

“Não dá para aceitar um cientista político que não sabe fazer análise de discurso, que não sabe ler um gráfico de pesquisa quantitativa ou confundir pesquisa quantitativa com qualitativa”, afirma. Se não for assim, o profissional entra no simples ‘achômetro’ e pode colocar em risco sua credibilidade.

“É preciso escolher as fontes de dados e colocá-las em perspectiva. Em seguida, é preciso montar uma matriz explicativa, por onde os dados se encaixam e se constroem cenários e possibilidades”, conta. Segundo o cientista político, salientar que tudo isso se trata sempre de um conjunto de probabilidades, e não uma certeza absoluta, é fundamental.  “Essa, só na hora em que as urnas estiverem abertas.”