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Ciências sociais: segmento para lá de aquecido

Faltam professores com essa formação para atuar no Ensino Médio

por Fernanda Bottoni 

Há cerca de duas décadas, o mercado de trabalho para quem se formava em ciências sociais era extremamente restrito quando comparado às oportunidades que os profissionais dessa área têm atualmente. “De lá pra cá, o cenário mudou completamente”, afirma Rafael de Paula Aguiar Araújo, coordenador do curso de sociologia e política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP SP). Confira as principais mudanças, as novidades na carreira e as tendências da área:

– Há vinte anos, os cientistas sociais estavam normalmente associados a movimentos sociais. “Eles trabalhavam com assessoria parlamentar, ONGs, que não eram tão fortes mas já existiam, pesquisa de opinião e também iam muito para a área de docência em história e geografia, no Ensino Médio, e para a área acadêmica, já que quase todos os cursos, até engenharia ou medicina, têm pelo menos uma disciplina de sociologia, antropologia ou política”, diz Araújo.

– Agora, a grande tendência é que a tecnologia aqueça cada vez mais esse mercado de trabalho, especialmente para quem se especializa em análise de mídias sociais. “Já temos a disciplina obrigatória de sociologia da tecnologia aqui e aposto que, nos próximos dez anos, todas as outras escolas também terão”, diz o coordenador. Segundo ele, o cientista social vem conquistando espaço nessa área porque sabe como funciona a lógica das redes e é capaz de entender e analisar tudo isso para sugerir temas e adequação de discurso ou de argumentação para que a comunicação possa ser mais eficiente – inclusive para as marcas.

– Dentro das empresas, também há mais espaço para quem estudou ciências sociais em pelo menos em duas áreas. A primeira é a de inteligência de marketing. “É preciso saber como a sociedade reage aos produtos, essa é a lógica das empresas.” A outra é a de RH. “O cientista social tem um olhar mais amplo e abrangente para selecionar os profissionais que conseguem atuar de maneira mais eficaz dentro da empresa”, acredita Araújo.

– Outra área que está muito aquecida – possivelmente a mais aquecida hoje – é a docência. Diferentemente do que ocorria há 20 anos, agora o cientista política ensina sociologia – e não mais história ou geografia. Isso porque desde 2008 todas as escolas brasileiras são obrigadas por lei a ensinar sociologia e filosofia durante o Ensino Médio. “A demanda é enorme porque não existe quantidade suficiente de profissional com essa formação no mercado”, diz Araújo. “Temos alunos de primeiro ano que já estão dando aula em escolas públicas”, explica. Antes da lei, São Paulo tinha quatro escolas de ciências sociais. Hoje são 11 endereços.

– O campo de trabalho também aumentou no terceiro setor, principalmente em pesquisas – e não apenas as velhas pesquisas de opinião. “Muitas ONGs contratam cientistas sociais porque são eles que fazem os diagnósticos necessários para proposição de políticas e concorrência de editais que o Estado financia”, diz ele.

*Veja cargos de professor em diversas áreas no Mapa VAGAS de Carreiras.