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Os desafios do perito criminal no Brasil

Profissional desmitifica aura de seriado norte-americano do trabalho

por Guss de Lucca

Quem nunca assistiu a uma série policial, como “CSI” ou “Law & Order”, e não imaginou que legal seria trabalhar como perito criminal, buscando pistas que podem solucionar os casos mais distintos. Foi com essa empolgação que o então estudante de Ciências Biológicas Claudemir Rodrigues Dias Filho resolveu se aventurar nesse universo.

“No meu caso foi meio acidental. Eu tinha um veterano que era perito criminal e ele me contou o que fazia – e logo achei interessante. Um tempo depois abriram vagas e prestei um concurso para seguir carreira nessa área”, recorda o perito criminal da Superintendência de Polícia Técnico Científica de São Paulo.

Apesar do choque com a realidade, que mostrou-se bem diferente da apresentada nos seriados, Dias passou a dar muito mais crédito ao serviço desempenhado por aqui. “Descobri no dia a dia que a nossa perícia é tupiniquim. Considerando os recursos que temos estamos muito distantes do que é mostrado na TV. Lá tudo é muito mais rápido. O que não significa que fazemos um trabalho ruim, muito pelo contrário”.

Questionado sobre o papel do perito numa investigação, ele afirma que trata-se do profissional que fornece provas materiais para um processo judicial na área criminal. Isto quer dizer que é ele quem traduz os vestígios do local de um crime e as causas e consequências daqueles vestígios para um operador do direito, seja um delegado, um promotor, um advogado de defesa ou um juiz.

Público ou particular
Dias divide o mercado de peritos criminais em dois blocos: os profissionais concursados que trabalham para a polícia, seja na esfera estadual ou federal, e aqueles que trabalham como profissionais particulares como assistentes técnicos, auxiliando a acusação ou a defesa na interpretação de provas materiais de um processo.

“A diferença do perito é que por ser um funcionário público ele é um auxiliar da Justiça. O compromisso dele é com a verdade. Por isso ele fica alheio às estratégias da defesa e da acusação. Ele é tão imparcial quanto um juiz de direito. Diferente do assistente técnico, que pode ser parcial”, difere o perito.

Independente da área de atuação, para Dias um bom profissional precisa ter uma característica comum aos cientistas: ser curioso. E tem que saber o que procura. “Existe uma máxima em criminalística dita por um sujeito chamado Claude Bernard, tido como o pai a medicina diagnóstica, que disse que quem não sabe o que procura não sabe quando encontra. Eu vejo essa frase como uma descrição quase perfeita do que o perito precisa ser”.

Os interessados em entrar nesse universo precisam ficar atentos aos editais e preferencialmente complementar as lacunas de suas áreas de formação. Por exemplo, no caso de um candidato oriundo das Ciências Biológicas é importante estudar as questões que envolvem o direito no ofício, e vice-versa.

Saiba mais informações sobre a carreira do perito criminal no Mapa VAGAS de Carreiras.